Congresso Internacional de Pentecostes foi marcado por momentos de forte espiritualidade, louvor e missão ao longo de três dias
No coração da Igreja Católica, a Praça São Pedro se encheu de fé,
alegria e unidade com a solene vigília de Pentecostes presidida pelo Papa Leão
XIV. A celebração, que fez parte do Ano Jubilar das Novas Comunidades, reuniu
cerca de 70 mil fiéis de mais de 100 países no sábado à noite, no Vaticano. Os
peregrinos da Obra de Maria acompanharam a vigília e participaram do Congresso
Internacional de Pentecostes 2025, organizado pela comunidade durante três dias
em Roma.
Sob o céu aberto e o calor típico do verão romano, o Papa chegou ao
local em seu papamóvel, abençoando as crianças e acolhendo os fiéis. Como parte
das celebrações do Jubileu dos Movimentos, Associações e Novas Comunidades, a
Vigília de Pentecostes, considerada o ponto alto espiritual do evento jubilar,
começou com a liturgia da Palavra, o canto do hino Veni Creator Spiritus e o
acendimento simbólico de sete lamparinas a partir da luz do Círio Pascal. Após
a proclamação do Evangelho de Lucas (4,16-21), o Santo Padre, em sua homilia,
recordou que “o Espírito do Senhor está sobre nós”, destacando a missão
evangelizadora da Igreja, a importância da sinodalidade e a comunhão entre os
povos.
Celebrado cinquenta dias após a Páscoa, Pentecostes é considerado o
momento em que o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos para renovar a
igreja. O Papa recordou que, naquele momento, o Espírito concedeu unidade,
coragem e liberdade aos discípulos, e que hoje continua a agir na Igreja.
Segundo o Santo Padre, é preciso ter fé para superar os desafios do mundo
atual. "Se não nos movermos mais como predadores, mas sim como peregrinos,
a terra descansará, a justiça prevalecerá, os pobres se alegrarão e a paz
reinará", disse o Pontífice, convidando os fiéis a serem fermento de
esperança no mundo.
PRESENÇA DE DEUS
Entre os milhares de fiéis, a emoção era visível. “É difícil descrever a
emoção que senti”, contou Maria Isabel Baião Dias, de 76 anos, peregrina da
Obra de Maria. “Participo de peregrinações desde criança, mas cada uma toca meu
coração de um jeito único. Estar na Vigília de Pentecostes, tão próxima do
Papa, mesmo a alguns metros de distância, foi como estar diante de um mistério
sagrado. Me emocionei profundamente. Senti a presença viva de Deus, e, mais uma
vez, minha fé foi renovada. Amo ser católica e poder viver momentos como esse
só fortalece ainda mais meu caminho de fé.”
Para Giselle Soares Dias, de 40 anos, nora de Isabel que também estava
peregrinando com a Obra de Maria, foi um momento único, vivenciado ao lado da
sobra e de seu marido, Liandro Baião Dias. "Mesmo não conseguindo ver o
Papa de perto na Vigília, a emoção foi enorme. Todos ao meu redor sentiam algo
diferente, como se o Espírito Santo nos tocasse. Hoje (domingo), conseguimos
vê-lo passar no papamóvel e foi um arrepio geral, todos gritando ‘Papa Leone!’
com bandeiras de tantos movimentos. Uma bênção imensa.", revelou.
CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA
Na manhã do Domingo de Pentecostes, o Papa Leão XIV presidiu a solene
Celebração Eucarística na Praça de São Pedro, diante de uma multidão comovida
de fiéis vindos de todo o mundo. Em sua homilia, o Santo Padre refletiu sobre o
significado profundo daquele dia, recordando que, no Pentecostes, as portas do
Cenáculo se abriram e os discípulos, fortalecidos pelo Espírito Santo,
ultrapassaram todas as fronteiras.
Encorajou a Igreja a fazer o mesmo, romper os muros da indiferença,
superar divisões de classe e raça, e se tornar cada vez mais um sinal visível
de unidade. “O Espírito Santo vence o medo, quebra as correntes interiores,
alivia as feridas, unge com força e dá coragem para sair ao encontro de todos e
anunciar as maravilhas de Deus”, declarou.
O Pontífice condenou ainda o feminicídio, o egoísmo, o preconceito, a
indiferença e a solidão que marcam o mundo atual. Invocou o espírito do amor e
da paz, pedindo que ele dissolva todo ódio e restaure corações feridos.
PENTECOSTES DA ESPERANÇA
A Comunidade Obra de Maria organizou toda a programação do Congresso
Internacional de Pentecostes, que aconteceu de 6 a 8 de junho na Basílica
Sant’Andrea della Valle, em Roma. O evento reuniu comunidades, pregadores,
músicos e milhares de fiéis em três dias intensos de espiritualidade, formação
e louvor. “Pentecostes é o tempo da descida do Espírito Santo sobre
nós. Roma, como coração da Igreja, foi o palco ideal para reacender a esperança
no mundo inteiro", resumiu Gilberto Barbosa, fundador da Obra de Maria.
O domingo foi inteiramente dedicado ao louvor e à exaltação do Espírito
Santo. Os peregrinos se reuniram na Basílica Sant’Andrea della Valle, em Roma,
para uma tarde intensa de músicas de evangelização, oração e ação de graças.
“Sem Pentecostes em nossas vidas, somos pessoas sem vida”, disse a cantora
Eliana Ribeiro, após apresentar canções como “Enviai” e “Água da Vida”.
Na sequência, Irmã Kelly Patrícia e o Instituto Hesed deram continuidade
aos momentos de louvor com grandes sucessos como “Minha Vitória Chegou”, “São
Miguel”, “Espírito Santo, Inspirai-Me” e “Generalíssima Imaculada”, que
conduziram os fiéis à intimidade com Deus e a crer no santo anjo.
Gilberto Barbosa, fundador da comunidade, aproveitou para destacar o
quanto o cantor e missionário Dunga é importante para que a Obra de Maria
organizasse o Congresso Internacional de Pentecostes. Dunga, por sua vez,
convidou todos para o congresso dos 60 anos da renovação carismática, que será
realizado durante a celebração de Pentecostes, em 2027, na Terra Santa. “Quem
nunca foi, vai viver a sua maior experiência espiritual na vida”, disse.
Por fim, Padre Reginaldo Manzotti entrou para animar os fiéis com
clássicos da música católica, como “Derrama o Teu Amor Aqui”, “Só Porque Você
Veio”, “Restaura a Família” e “Eu Navegarei”. Em suas falas, o sacerdote
recordou temas como colocar a fé como pilar, a importância da família e sobre
não desistir nos momentos difíceis.
SÁBADO: O segundo dia do Congresso foi
marcado por uma programação espiritual repleta de momentos de oração, reflexão
e comunhão. Um dos destaques da manhã foi a pregação do mexicano Prado Flores,
que conduziu os participantes a uma meditação intensa sobre a força
transformadora do Espírito Santo. Com base nos ensinamentos de São Paulo, sua
mensagem formou uma corrente de fé, convidando os fiéis a se abrirem à ação do
Espírito em todas as dimensões da vida.
Ainda pela manhã, a Celebração Eucarística presidida pelo padre Fábio de
Melo uniu a todos em torno do altar. A homilia destacou a necessidade de viver
o Pentecostes como experiência permanente na vida cristã, reconhecendo o
Espírito como guia da Igreja e fonte de força diante das dificuldades da vida.
O padre também destacou a necessidade de ser solidário e ter compaixão para
ser, de fato, cristão. “A compaixão é o princípio mais elevado que o
cristianismo exige de nós” disse.
Durante a tarde, a Adoração Eucarística conduzida por Luzia Santiago, da
Canção Nova e Ironi Spuldaro levou os fiéis a um silêncio contemplativo diante
do Santíssimo Sacramento. Ambos convidaram a a desenvolver a reconciliação
interior e crer na cura através da fé.
O Frei Hayden Williams, encerrou o dia com uma pregação firme e cheia de
unção, Ele refletiu sobre os desafios enfrentados pela humanidade desde os
primeiros séculos do cristianismo, destacando que a grandeza da Igreja está
naquilo que Deus realiza por meio de nós. O Batismo no Espírito Santo, disse
ele, é a plenitude do que Deus deseja realizar em seus filhos e é apenas o
início de um caminho de santidade e missão. Ao final, relembrou a importância
de Maria em Pentecostes e convocou os participantes a uma vida profundamente
comprometida com o chamado de Deus.
Gilberto Barbosa, junto a Ângela Chineze e Kátia Roldi Zavaris, coordenadora do
Charis no Brasil, fez um convite aos intercessores para um encontro mundial
organizado pelo Charis Internacional, de 5 a 8 de agosto de 2026, no Brasil, na
sede da Canção Nova. Gilberto trouxe um testemunho que viu no último encontro,
quando entrou no auditório onde um grupo de mil intercessores estavam em
oração. “Eu tive um choque (...) Eu nunca vi isso na minha vida”, revelou.
SEXTA-FEIRA: Patti Mansfield, uma das pioneiras da
Renovação Carismática Católica no mundo, foi quem abriu oficialmente o
Congresso Internacional de Pentecostes. Em sua reflexão, destacou que o Papa
foi uma surpresa do Espírito Santo para a Igreja, sinal de que Deus sabe o que
faz e que todos precisam manter a esperança em todos os momentos.
A tarde da sexta-feira manteve o ritmo intenso de espiritualidade, com
pregação e adoração conduzidas pelo padre Emmanuel, do Instituto Hesed. Em sua
fala, ele reafirmou a fé na providência divina mesmo diante da dor. Com base no
Evangelho de João e no testemunho de Santa Josefina Bakhita, padre Emmanuel
lembrou que, por mais que o sofrimento pareça grande, a tristeza tem fim quando
colocamos nossa confiança em Deus.
Em seguida, os fiéis participaram da Celebração Eucarística presidida pelo
padre Reginaldo Manzotti. Em sua homilia, ele destacou a urgência da conversão,
recordando a experiência de Pedro como símbolo do perdão que restaura. Falou
sobre como Jesus entra justamente na nossa intimidade mais sombria, nas
fragilidades mais ocultas, para transformar e renovar.
Após os
três dias, o clima que ficou foi de comunhão e união. O Pentecostes da
Esperança não se despediu, mas se espalhou pelos corações dos fiéis, assim como
o Papa havia mencionado, inflamando a Igreja de coragem e fé para os novos
tempos.
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