ISO 9001 amplia segurança e reduz necessidade de deslocamento para grandes centros
O Sertão do Pajeú acabou
de registrar um marco inédito na saúde regional: Maria do Carmo Diagnósticos,
no município de Afogados da Ingazeira, recebeu a certificação internacional ISO
9001, concedida pela TÜV NORD, uma das instituições de auditorias
internacionais mais respeitadas do mundo. É a primeira empresa de saúde da
região que conquista essa certificação, alterando, para cima, a régua de
confiança do setor de diagnósticos na região.
A conquista internacional
não é apenas um selo na parede. É o encerramento de um ciclo intenso de 14
meses, que envolveu reorganização interna, mudança cultural, padronização de
processos e uma busca obstinada por qualidade. Afogados da Ingazeira, conhecida
pela sua rica cultura popular, a 378 quilômetros do Recife, também se torna um
polo de saúde para outras cidades próximas ao receber o padrão mundial de
qualidade.
“Somos imensamente
orgulhosos por ser o primeiro grupo de saúde do Sertão do Pajeú a conquistar a
certificação ISO 9001. Essa conquista não é apenas nossa. Ela representa
desenvolvimento, avanço e esperança para toda a região”, disse a bioquímica e
empresária Maria do Carmo, uma das fundadoras do grupo, que completa 44 anos.
O impacto no Sertão
Para Maria do Carmo, a
certificação internacional representa que o Sertão cresce, evolui e se destaca.
“E nós fazemos parte dessa
transformação. Cada melhoria implantada, cada ajuste feito, cada investimento
realizado tem um propósito. Cuidar com a excelência das pessoas que nos confia
sua saúde”, disse.
Maria do Carmo
acrescentou: “vai haver um despertar nas pessoas. Que saúde tem que ter
qualidade. Então, eu acredito que isso é um investimento para a cidade e para a
região”, explicou.
A conquista da
certificação, por sua vez, altera a geografia da saúde no Sertão do Pajeú. Por
muitos anos, exames mais sensíveis dependiam de deslocamentos longos, espera e
custos adicionais.
Com a certificação, Maria
do Carmo Diagnósticos se consolida como referência regional em análises
clínicas, citologia oncótica, densitometria óssea e radiografia digital.
O que muda para quem depende do diagnóstico
A ISO 9001, amplamente
utilizada em sistemas de gestão no mundo todo, estabelece padrões rigorosos
para que processos funcionem de forma previsível, segura, eficiente e
auditável.
No caso da saúde, o
impacto é direto: o que está em jogo é a precisão de exames que influenciam
diagnósticos, tratamentos e prevenção.
A certificação concedida à
instituição abrange três áreas: análises clínicas, setor de imagem e citologia,
incluindo a citologia oncótica, exame laboratorial microscópico que identifica
alterações celulares capazes de indicar lesões precursoras do câncer do colo do
útero.
“Às vezes, o paciente vê
só uma recepção bonita, mas não sabe o que acontece lá dentro”, afirma a
bioquímica. Ela explica que, no processo de certificação, os auditores
verificaram coleta, execução dos exames, pós-análise, entrega de laudos,
registros de controle, protocolos de investigação e, principalmente, a
coerência entre cada etapa.
“Essa é a confiança que
nos move, que nos inspira e nos faz levantar todos os dias com o desejo de
fazer mais e melhor.”
Segundo a empresária Maria
do Carmo, a partir de agora, cada etapa, do registro do material à liberação de
laudos, é guiada por protocolos validados internacionalmente.
Da coleta ao laudo: o
que realmente muda para o paciente
Nesse percurso, a presença
da TÜV NORD foi determinante. A certificadora alemã, com mais de 150 anos de
história e atuação em mais de 100 países, é reconhecida por sua imparcialidade
e rigor técnico.
No Brasil, atua como parte
de um grupo internacional que oferece auditorias, treinamentos e inspeções em
setores estratégicos da economia.
Para uma instituição do
sertão pernambucano, ser avaliado por uma instituição desse porte tem um peso
simbólico e técnico: significa que os processos internos, independentemente da
localização geográfica, atendem aos mesmos critérios exigidos em centros de
referência da Alemanha, da Ásia ou dos Estados Unidos.
Para os pacientes, isso se
traduz em confiança — uma palavra que, na área da saúde, é sempre central.
O selo internacional
devolve ao paciente algo essencial — o direito de ser atendido com padrão
elevado sem precisar se deslocar para outra cidade. “O maior desafio foi tomar
o primeiro passo: a decisão de implantar (a ISO 9001)”, respondeu ao ser
indagada sobre o maior desafio.
A transformação dentro
da equipe
A certificação traz um
impacto humano. A equipe mudou seu relacionamento com a própria rotina. Os
profissionais passaram a enxergar cada etapa com mais clareza.
A norma garante que uma
organização tem um Sistema de Gestão da Qualidade estruturado,
padronizado e auditado segundo normas internacionais. Em termos práticos,
assegura método, controle e compromisso com a qualidade.
A ISO 9001 ampliou o senso
de responsabilidade coletiva e fortaleceu a noção de que cada exame é uma
história pessoal — envolve uma família, um medo, uma dúvida, um alívio
possível.
Nas palavras de Maria do
Carmo, “o exame não é só um resultado. Ele tem um caminho. E esse caminho
precisa ser perfeito.”
Ao final dos 14 meses,
quando os auditores da TÜV NORD concluíram que o centro de diagnósticos atendia
integralmente aos requisitos, a sensação não foi apenas de vitória, mas de
transformação.
A certificação coroa um
processo, mas também inaugura outro: o da manutenção permanente da qualidade. A
ISO não é um certificado estático; ela exige revisões periódicas, auditorias
regulares e atenção constante. É um compromisso de longo prazo assumido não
apenas pela gestão, mas por todos que trabalham nesta unidade de saúde.
Para o Sertão do Pajeú, a
conquista representa um avanço coletivo. Mostra que o interior pode oferecer
serviços com rigor internacional, que profissionais da região são capazes de
implementar sistemas robustos e que a saúde local está em processo contínuo de
qualificação. Não se trata apenas de uma empresa certificada, mas de um marco
para todo um território.
Com a ISO 9001, Maria do
Carmo Diagnósticos inscreve seu nome em uma lista global de instituições
comprometidas com a excelência. E o Sertão do Pajeú, mais uma vez, mostra que a
inovação não precisa vir de longe — basta vir de dentro.
Um sonho que começou em 1982
Maria do Carmo
Diagnósticos, hoje, se consolidou como referência no Vale do Pajeú. A
trajetória começou em 1982, quando a bioquímica e empresária, aos 25 anos,
inaugurou o primeiro laboratório — na época, enfrentando o desafio de abrir as
portas no sétimo mês de gravidez do seu primeiro filho. Anos depois, em 1987,
nasceria Laíse Lima, que hoje integra a equipe e conduz a gestão ao lado da
mãe.
A jornada da ISO, por sua
vez, começou com a vontade de não parar de crescer, com o diagnóstico interno:
quais fluxos precisavam ser redesenhados, que documentos exigiam atualização,
quais profissionais precisariam de treinamento específico.
Segundo Maria do Carmo, a
equipe percebeu que uma certificação ISO não é uma meta burocrática, mas uma
mudança de cultura. Ela exige que o laboratório, o setor de imagem e a
citologia, por exemplo, passem a funcionar como um organismo único, onde cada
etapa depende da anterior e prepara a seguinte.
“Foi uma comoção muito
grande para toda a equipe (quando recebemos a certificação). A equipe todinha
se emocionou. Foi choro pra tudo que é lado, choro de alegria. Foi muito
emocionante e ficamos felizes. Uma certificação ISO 9001, que eu bem sei, não é
uma coisa tão fácil”, diz a empresária.
O ponto de virada
A implementação de novos
protocolos exigiu paciência e disciplina. Houve dias em que a equipe precisou
ficar até mais tarde para fechar verificações de rotina; outros em que
auditorias simuladas mostraram que ajustes ainda eram necessários.
Um exame de sangue só é
confiável se o procedimento de coleta seguir o manual; a citologia só entrega
um diagnóstico preciso se todas as lâminas forem tratadas com o mesmo rigor e a
radiografia digital só garantem segurança se a calibração dos equipamentos for
monitorada rotineiramente. Esse foi o ponto de virada para a equipe: entender
que qualidade não é um departamento, é um comportamento.
“A Iso 9001 impacta na
vida do paciente, porque ele se sente mais seguro. E a classe médica também,
porque a classe médica tem que estar confiante, no que está recebendo, para que
possa tomar uma decisão de diagnóstico. Esse foi um sonho meu e de Laíse, um
objetivo de vida. Algo que carreguei no coração desde o início de nossa
trajetória para aperfeiçoar ainda mais a qualidade dos nossos trabalhos e
oferecer um serviço melhor ainda para a população”, destaca a empresária.
*O futuro
desenhado no berço: a força da sucessão*
A conquista da ISO 9001
por Maria do Carmo Diagnósticos não é apenas um marco técnico; é o
capítulo mais recente de uma história que atravessa gerações. Se a fundação da
unidade em 1982 foi marcada pela coragem de Maria do Carmo, que abriu as portas
no sétimo mês de gravidez do primeiro filho, o presente é conduzido pela visão
estratégica da farmacêutica e bioquímica Laíse Lima Peixoto. Sócia e
sucessora natural, Laíse não apenas herdou o negócio, mas o transformou de
dentro para fora.
Suas memórias mais antigas
se confundem com a própria estrutura física da empresa. Ela recorda, com a
precisão de quem viveu a cena, o momento em que o letreiro foi instalado na
fachada original.
“Eu tinha uns quatro anos.
Lembro de ficar na calçada com meus irmãos assistindo aquilo ser colocado”,
conta. O ambiente de trabalho da mãe era o seu quintal. Entre as quatro
salinhas iniciais, Laíse cresceu observando o som da máquina de datilografia e a
importância do microscópio.
“Eu deitava nos bancos de
cimento que tinham almofadas em cima, ficava desenhando, pintando, ou até
tirando dúvidas da escola com minha mãe enquanto ela trabalhava.”
O "batismo
de fogo" e a modernização
A escolha profissional,
embora parecesse traçada, teve um empurrão decisivo do avô, João Domingos. Foi
ele quem, diante das dúvidas da neta no ano do vestibular, insistiu no conselho
que mudaria o destino da saúde no Pajeú: “Minha filha, faça farmácia e vá
trabalhar com sua mãe”. O conselho foi seguido à risca, culminando em uma
trajetória acadêmica sólida, com mestrado e experiência em grandes centros como
o Hospital das Clínicas, no Recife.
Ao retornar para Afogados
da Ingazeira em 2012, Laíse trouxe consigo o que chama de seu "batismo de
fogo": a missão de modernizar processos consolidados há décadas. A
implementação da coleta a vácuo e a informatização dos cadastros foram os primeiros
grandes embates culturais. “Houve muita resistência. Diziam que era difícil,
que não iam conseguir, que o cadastro por CPF dava trabalho. Mas eu sabia que
aquilo otimizava o tempo e garantia a segurança ao paciente. Hoje, todos
agradecem”, reflete.
Essa visão transformadora
é o que fundamentou a busca pela ISO 9001. Segundo Laíse, que divide o comando
com a mãe, Maria do Carmo Diagnóstico, saltou de um atendimento manual e
burocrático para uma estrutura de três andares, com sete guichês de recepção e
cinco boxes de coleta. O que antes era feito por apenas uma bioquímica, hoje
conta com um corpo clínico de nível superior e tecnologia de ponta, como os
sistemas de urinálise em esteira e aparelhos de hematologia de alta velocidade.
A ISO como mudança de comportamento
Para Laíse, a certificação
internacional é a validação de um investimento pesado e silencioso. Enquanto o
público vê a fachada moderna, os bastidores exigiram 14 meses de um rigor quase
militar sobre insumos, reagentes e temperaturas.
“A ISO exige treinamento
constante, não só técnico, mas de direção. Fala sobre a nossa identidade: a
busca obstinada pela qualidade. Quando ninguém na região ainda tinha despertado
para isso, nós já estávamos na fronteira, desbravando.”
O maior desafio, segundo
ela, não foi financeiro ou técnico, mas humano. “Mudar a mentalidade é o mais
difícil. Explicar para a equipe por que o controle de temperatura de uma
geladeira, algo que parece pequeno, é vital para o resultado final. Quando essa
chave vira, tudo flui. A qualidade deixa de ser um departamento e passa a ser
um comportamento”, explica Laíse.
O elo inabalável:
mãe e filha
A parceria entre fundadora
e sucessora é descrita por Laíse como uma engrenagem de alta precisão. Elas
dividem o comando com uma sintonia rara: enquanto uma foca no setor técnico, a
outra cuida da gestão ou dos convênios. Em congressos, a estratégia é dividida
para cobrir o máximo de conhecimento possível.
“A gente nunca termina uma
conversa discordando. Uma sempre convence a outra com argumentos. Aprendo com
ela todos os dias; minha mãe é sábia, se a luz apagar e a tecnologia falhar,
ela sabe fazer tudo manualmente. Eu trouxe a inovação, mas a base é o conhecimento
dela.”
A transição é suave, mas
firme. Maria do Carmo tem se afastado das decisões burocráticas, passando o
comando para que a filha bata o martelo nas decisões estratégicas e na
liderança da equipe. Indagada se será a sucessora, ela responde:
“Eu tenho trabalhado para
dominar cada setor, da recepção à bancada. Mas acredito que ela (a minha mãe)
nunca sairá totalmente; a empresa é como um filho para ela, e esse amor foi
passado para mim. Eu acordo feliz por saber que vou trabalhar.”
Gratidão em forma
de diagnóstico
O desfecho da auditoria da
TÜV NORD foi o ponto culminante dessa jornada iniciada há 44 anos. O anúncio da
recomendação para a ISO 9001 transformou o ambiente técnico em um cenário de
pura emoção. “Foi um choro de alegria que contagiou todo mundo, da limpeza à
diretoria. Ver a emoção escorrer nos olhos de cada funcionário foi a prova de
que atingimos o objetivo. Não foi fácil, foi oneroso e trabalhoso, mas valeu a
pena cada batida de cabeça.”
Com a ISO 9001, Laíse Lima
Peixoto não apenas assegura a continuidade do legado de sua mãe, mas coloca o
Sertão do Pajeú no mapa da excelência global em saúde.
Maria do Carmo
Diagnósticos agora vive a norma internacional diariamente, reafirmando que a
inovação, quando movida por amor e rigor técnico, não conhece fronteiras
geográficas. Como define a própria sucessora: “O exame não é apenas um
resultado frio; é uma história pessoal, envolve uma família e um alívio
possível. E esse caminho precisa ser perfeito”.
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