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segunda-feira, 9 de março de 2026

No Dia da Mulher, Palácio do Campo das Princesas recebe projeção para divulgar Copa do Mundo Feminina da FIFA

Iniciativa promove o futebol feminino em Pernambuco, que receberá jogos da Copa em 2027


Neste domingo (8), Dia Internacional da Mulher, o Palácio do Campo das Princesas ganha uma cara nova do Governo de Pernambuco para promover a Copa do Mundo Feminina da FIFA. Na iniciativa, a sede do Executivo estadual recebe a projeção da identidade visual do evento, que ocorre em junho de 2027, com jogos realizados na Arena de Pernambuco.

“No Dia Internacional da Mulher, nós emprestamos a fachada do Palácio do Campo das Princesas, esse prédio histórico, que conta parte da história de Pernambuco, para divulgar o futebol feminino. Teremos a alegria de receber os jogos na Arena de Pernambuco, onde queremos ver as jogadoras brilharem, com muita representatividade para todas nós, pernambucanas”, destacou a governadora Raquel Lyra.

O emblema combina as letras "W" (que significa "women" e "world") e "M" (que está no início das mesmas duas palavras em português, "mulheres" e"mundo"). A forma de diamante formada entre as duas letras empilhadas é uma homenagem à bandeira brasileira. A tipografia oficial remete ao grafismo produzido através do movimento dos pincéis, em referência à tradição brasileira de pintar as ruas para torcer pelas seleções nacionais. E Brasil está escrito com S, respeitando a grafia do português, em vez do Z utilizado na grafia em inglês.

A secretária de Esportes de Pernambuco, Ivete Lacerda, destacou a importância de dar visibilidade ao futebol feminino. "Em uma data tão simbólica como o Dia Internacional da Mulher, estamos convidando a população a assistir, torcer e se envolver com o esporte praticado por mulheres", pontuou.

“Receber jogos da Copa do Mundo Feminina em Pernambuco é motivo de grande orgulho. A Arena de Pernambuco está preparada para sediar um evento dessa dimensão e contribuir para dar ainda mais visibilidade ao futebol feminino. Especialmente neste dia, a ação também reforça a importância de incentivar e valorizar o protagonismo das mulheres no esporte”, reforçou Michele Collins, diretora-presidente da Arena Pernambuco.

Governadora Raquel Lyra celebra chegada de R$ 241 milhões em equipamentos para terminal 100% eletrificado em Suape

A governadora Raquel Lyra acompanhou, nesta segunda-feira (9), a entrega de 28 equipamentos ao APM Terminals, no Complexo Industrial Portuário de Suape. Com investimentos de R$ 241 milhões e geração de 2.500 empregos indiretos, o conjunto marca uma nova etapa na implantação do primeiro terminal portuário 100% eletrificado da região e acelera o início das operações técnicas do empreendimento. Este é um dos resultados da articulação do Governo de Pernambuco, que vem buscando investimentos e negócios voltados para a energia verde no Estado. A agenda contou com a participação do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, e da vice-governadora Priscila Krause.

“Hoje é dia de celebração. Quando fomos à Dinamarca visitar a Maersk, firmamos o compromisso de fazer a entrega em maio deste ano, mas precisavam chegar os equipamentos. E chegaram, são os maiores guindastes instalados no Brasil, que acabam de chegar da China e já posicionam Pernambuco como um grande destino de investimentos logísticos para o mundo. O alto investimento e rapidez na logística já antecipam o que só aconteceria nos próximos sete anos. Em maio estaremos aqui novamente, para a entrega de uma etapa útil e, depois, a entrega definitiva em agosto”, discursou a governadora Raquel Lyra. 


Os equipamentos que chegaram ao terminal incluem dois guindastes STS (Ship-to-Shore), responsáveis pelo carregamento e descarregamento de contêineres entre navios e o cais, um dos equipamentos centrais da operação portuária moderna, além de sete guindastes RTG, usados para organizar e empilhar contêineres no pátio com alta produtividade. 

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, destacou a importância estratégica do complexo para inserir o Estado no cenário internacional das operações portuárias. “Estamos aumentando ainda mais a competitividade do Porto de Suape, e com esse empreendimento, Pernambuco vai entrar na rota internacional das operações", disse o ministro.


Também fazem parte do conjunto de entregas duas Reach Stackers, utilizadas para movimentação e empilhamento de contêineres no terminal, uma empilhadeira para 16 toneladas, duas empilhadeiras para contêineres vazios e 14 Terminal Tractors, que transportam as cargas dentro da área portuária. Os equipamentos contam com tecnologia de última geração e operação por controle remoto, a partir de salas de comando, aumentando a segurança, a precisão das operações e a acessibilidade para operadores. 

Para o diretor-presidente de Suape, Armando Monteiro Bisneto, a entrega marca mais uma etapa do desenvolvimento do Porto. “Coincide também com o momento de transformação do Complexo e do nosso Estado. Seguimos consolidando Suape como um dos protagonistas da transição energética no Brasil”, pontuou.


Em outubro de 2025, a governadora Raquel Lyra esteve na Dinamarca na sede da European Energy, referência mundial em soluções de hidrogênio verde e combustíveis sustentáveis. Com esses equipamentos, a multinacional já soma R$ 2 bilhões na implantação da fábrica de e-metanol, colocando Pernambuco em destaque na cadeia do hidrogênio verde e combustíveis do futuro. Isso demonstra que Suape se destaca pela oferta de energia limpa e pela capacidade técnica e industrial. 

“É fundamental que os empresários saibam que o governo honra seus compromissos financeiros, garantindo um ambiente de negócios mais seguro e favorável. Esse cenário mudou muito nos últimos anos, e é motivo de orgulho ver essa transformação acontecer”, enfatizou o secretário de Desenvolvimento Econômico, Guilherme Cavalcanti. 

Voltado à movimentação de contêineres e carga geral, o empreendimento deve entrar em operação no segundo semestre deste ano, com capacidade inicial para movimentar cerca de 400 mil TEUs (unidade de transporte marítimo) por ano, volume que pode ampliar significativamente a capacidade logística do Porto.

O diretor-presidente da APM Terminals Suape e Pecém, Daniel Rose, destacou o papel do empreendimento em Suape. “Estamos cada vez mais próximos de concretizar um projeto que redefine o papel de Pernambuco e do Brasil na logística portuária internacional. Esta iniciativa produz uma nova forma de pensar o futuro: operar com eficiência, respeitar o meio ambiente e ampliar a acessibilidade, garantindo que o progresso seja inclusivo e sustentável”, afirmou.

Representando o Poder Legislativo, o deputado estadual Romero Sales Filho comemorou o avanço do empreendimento. "Estamos enxergando Pernambuco em um tempo de progresso e prosperidade. Várias pessoas foram empregadas nesse lugar, pela união dos esforços, por aqueles que têm uma visão de Estado e visão de política diferenciada", complementou o parlamentar.

Fotos: Yacy Ribeiro/Secom

Igarassu recebe Carreta da Mulher com serviços gratuitos de saúde

Teve início, nesta segunda-feira (09), o primeiro dia da ação itinerante direcionada à saúde da mulher. O Governo do Estado, em parceria com a prefeitura de Igarassu, está promovendo a Carreta da Mulher Pernambucana, até o dia 14 de março, das 8h às 17h, na Área de Lazer de Cruz de Rebouças. 

A iniciativa oferece uma série de serviços gratuitos, como consulta de ginecologia, mastologia, ultrassom da mama, colposcopia, mamografia e biópsia da mama e do colo do útero. A secretaria municipal de Saúde também está presente nos dias de programação com atendimento médico e de enfermagem, além de citologia. 

Para ter acesso aos atendimentos, é necessário apresentar documento oficial com foto, cartão do SUS e comprovante de residência. 

A prefeita professora Elcione Ramos esteve presente na abertura da ação e reforçou a importância da Carreta da Mulher no município. “Essa iniciativa é mais um fruto de uma grande parceria com o Governo de Pernambuco. Seguiremos comprometidos para fazer muito mais pela saúde do nosso povo”, frisou a gestora.

Pedro Campos destaca PEC da Segurança de Lula como resposta ao avanço do crime organizado

Por Alberes Xavier - Edição de Jamerson Ramos
  
O deputado federal Pedro Campos (PSB) destacou, em entrevista exclusiva ao Blog do Alberes Xavier e à Rede Pernambuco de Rádios, a importância da chamada PEC da Segurança Pública, proposta enviada ao Congresso Nacional pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca fortalecer o enfrentamento ao crime organizado no país por meio de integração entre as forças de segurança e ampliação de recursos para o setor.

A proposta foi aprovada, na última quarta-feira, 4 de março, pela Câmara dos Deputados em dois turnos e agora segue para análise do Senado. O texto prevê maior coordenação nacional das políticas de segurança, além de fortalecer o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), que integra ações entre União, estados e municípios no combate à criminalidade. A medida também busca ampliar investimentos na área e estruturar uma política mais articulada para enfrentar o avanço do crime organizado no Brasil.

Em entrevista, Pedro Campos lembrou que participou diretamente do debate da proposta na Câmara e ressaltou que a iniciativa pretende garantir recursos e integração entre as polícias para enfrentar o crescimento das organizações criminosas.

“Vale ressaltar que a PEC da Segurança é uma proposta do governo do presidente Lula. Eu fiz parte da Comissão Especial que debateu essa temática e a ideia é integrar as forças policiais e garantir recursos, inclusive a parte vinda do Fundo Social do Pré-Sal e também uma parte vinda da tributação das bets”, afirmou.

O parlamentar também avaliou que o avanço do crime organizado exige uma resposta coordenada do Estado brasileiro, com planejamento nacional e financiamento adequado para as políticas públicas de segurança.

“É uma iniciativa muito importante porque o crime organizado cada vez mais tem ganhado corpo nacionalmente e internacionalmente e para enfrentar isso a gente precisa de políticas articuladas, de integração nacional e de dinheiro. Então a PEC da Segurança responde a essas necessidades e dá uma resposta a esse objetivo”, disse.

Pedro Campos ainda citou outras iniciativas legislativas apresentadas pelo governo federal para enfrentar o avanço das facções criminosas no país.

“Como foi também o PL das facções do Governo do presidente Lula, que foi apresentado para poder enfrentar o crime organizado, que hoje é o grande problema da segurança pública do Brasil”, concluiu.

Lula da Fonte exalta a força da federação União Progressista: “A maior força política do país desde o processo de redemocratização de nossa nação”


O deputado federal Lula da Fonte, do PP, concedeu entrevista ao Blog do Alberes Xavier e a Rede Pernambuco de Rádios. Direto do seu gabinete na Câmara dos Deputados ele falou sobre as principais articulações da federação União Progressista (União Brasil e PP) com vistas a eleição deste ano.

Segundo Lula, a federação tem sido ‘cortejada’ por vários palanques em todo o Brasil, devido a sua força e importância diante os mais variados cenários eleitorais. “Antônio Rueda e o nosso presidente Ciro Nogueira estão de parabéns, pois têm comandado muito bem essa federação, que tornou-se a maior força política do país desde o processo de redemocratização de nossa nação”.

O deputado falou ainda sobre o seu pai, o deputado federal Eduardo da Fonte e sobre a posição do PP e da federação na disputa pelo governo do estado de Pernambuco. “Defendo que a nossa federação siga com a governadora Raquel Lyra, mas essa decisão não cabe apenas a mim, nem ao deputado Eduardo da Fonte. Essa decisão passa por conversas e pela interlocução da executiva nacional da federação União Progressista, através do senador Ciro Nogueira e de Antônio Rueda”, disse ele.

SINTEPE CONVOCA PARALISAÇÃO DE TRABALHADORES/AS DE EDUCAÇÃO NESTA TERÇA (10)

Todas as escolas da rede estadual de Pernambuco vão realizar uma paralisação de um dia nesta terça (10) no Dia Estadual de Paralisação da Rede Estadual de Ensino. Também haverá um protesto às 9h em frente da Alepe. As atividades são convocadas pelo Sintepe (Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco) e se estendem também aos locais de trabalho da Secretaria de Educação de Pernambuco. O Sindicato alerta que a pauta de reivindicações da categoria foi entregue ao governo no último dia 6 de fevereiro e que até o momento não houve retorno positivo. 

"Já faz um mês que entregamos a pauta de reivindicações da Campanha Salarial Educacional ao Governo do Estado. Tivemos uma mesa de negociação, mas não houve nenhuma proposta concreta da parte da gestão", explica Ivete Caetano, presidenta do Sintepe. O prazo para a PL ser aprovada na Assembleia Legislativa deste ano vai até o dia 04 de abril devido às normas eleitorais.


Um dos principais pontos de negociação para este ano se refere à atualização do Piso Salarial do Magistério, com repercussão em toda a carreira dos servidores e servidoras da Secretaria de Educação de Pernambuco tendo por base a Medida Provisória n. 1.334/2026. Por esta nova regra, a atualização anual do piso passa a considerar a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado no ano anterior, somada a 50% da média da variação da receita real do Fundeb.

Com base nessa fórmula, o piso foi atualizado em 5,4% para 2026, passando de R$ 4.867,77 para R$ 5.130,63, para a jornada de 40 horas semanais. O Sintepe reivindica que o percentual do piso de 5,4% repercuta em toda a carreira dos servidores da Educação em Pernambuco.


A paralisação reforça a mobilização pela Campanha Salarial Educacional 2026 e tem caráter emergencial. O ato também exige atitude por parte do governo estadual para melhorias e reformas de escolas que estão com problemas estruturais graves, falta de climatização e merenda de baixa qualidade. 

A pauta da campanha neste ano também exige reformulação do Plano de Cargos, Carreira e Rendimentos (PCCR) de todos os cargos da educação, entre outras reivindicações relativas a Concurso Público, Gratificações e Formação Continuada.


Mais informações sobre a Campanha Salarial Educacional 2026: 
https://sintepe.org.br/conheca-a-pauta-de-reinvindicacoes-da-campanha-salarial-educacional-2026 

Fotos: Péricles Chagas/Sintepe

Fim da escala 6x1: proposta pode aliviar dupla jornada das mulheres

Trabalhadoras relatam exaustão e falta de tempo para filhos e lazer

O governo federal defende o debate público com a sociedade – trabalhadores, empregadores, pequenos empreendedores – e com o Congresso Nacional sobre a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais no Brasil, junto com o fim da escala de seis dias de trabalho a cada um de descanso, a escala 6x1.

A intenção ao revisar o modelo de trabalho e chegar à jornada de cinco dias de trabalho a cada dois de folga (5x2) é dar mais qualidade de vida à população, com aumento do tempo de descanso e lazer dos trabalhadores.

A cobradora de ônibus do Distrito Federal, Denise Ulisses, de 46 anos, conhece bem a realidade dura do 6x1. Há 15 anos, ela trabalha seis horas corridas por dia de segunda-feira a sábado e folga somente aos domingos.

Se por um lado, Denise se divide entre o itinerário repetitivo do transporte coletivo, liberação da catraca e conferência do troco aos passageiros, a outra parte da vida dela é ocupada pelas tarefas de casa e o acompanhamento dos dois filhos, atualmente, com 18 e 22 anos. “Quando as crianças eram pequenas, foi bem pesado.”

Denise Ulisses faz planos para quando tiver mais tempo livre, caso a redução da jornada 6x1 passe no Congresso Nacional.

“Eu sairia na sexta-feira à noite para o sítio e só voltaria no domingo à noite. Então, este seria um tempo bom de folga: dois dias.”

Peso da dupla jornada

A pauta do fim da escala 6x1 é considerada prioritária pelo governo federal. Desde 2025, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Gleisi Hoffmann, explica que carga de trabalho da escala 6x1 recai, principalmente, sobre os ombros das mulheres devido à dupla jornada, ou seja, para aquelas que trabalham para ganhar dinheiro, mas que também são responsáveis pelo trabalho doméstico não remunerado.

O entendimento é confirmado pelos dados de 2022 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que mostram as mulheres dedicadas, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e cuidados de pessoas, enquanto os homens dedicam 11,7 horas.

A diferença de 9,6 horas semanais evidencia quase o dobro do tempo de dedicação feminina. Quando consideradas somente as mulheres pretas e pardas, o trabalho doméstico não remunerado é 1,6 hora a mais por semana, se comparado ao de mulheres brancas.

A secretária Nacional de Articulação Nacional, Ações Temáticas e Participação Política do Ministério das Mulheres, Sandra Kennedy, explica que a primeira questão a ser enfrentada para reduzir a sobrecarga das mulheres com a dupla jornada é estrutural: a sociedade precisa rever a desigualdade de gênero.

“Na soma entre o trabalho doméstico e o trabalho formal, nós trabalhamos muito mais do que os homens”, destaca Sandra.

Para a representante do Ministério das Mulheres, o fim da jornada máxima 6x1 pode impactar positivamente na divisão de tarefas em casa.

“O cuidado tem que ser compartilhado entre homens e mulheres. Isso não é uma questão só cultural. É também de os homens terem mais tempo em casa para compartilharem o cuidado.”

A secretária entende que as mulheres estão adoecendo mais por serem afetadas pela dupla jornada.

“A gente tem menos tempo para estudar, para se qualificar, tem muito menos tempo para conciliar o trabalho pessoal com o trabalho social. O adoecimento é evidente.”

Tempo e dinheiro

Brasília (DF), 05/03/2026 - A auxiliar de serviços gerais Tiffane Raany dá entrevista à Agência Brasil sobre o impacto da escala de trabalho 6x1. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Tiffane Raany sente falta de ter mais tempo para o filho - Marcelo Camargo/Agência Brasil

A jovem Tiffane Raane sente no corpo e no bolso o excesso de trabalho. Contratada como auxiliar de serviços gerais em uma rede de academias do Distrito Federal, ela trabalha das 7h às 18h, com uma hora de almoço, de segunda a sexta-feira, e se somam ao dia a dia o sábado ou o domingo alternadamente a cada semana. No tempo fora do emprego, Tiffane se desdobra nos cuidados com a casa e com o filho de 7 anos.

“Eu pago R$ 350 por mês a uma cuidadora para ficar com meu filho no tempo em que está fora da escola. Ele sente mais falta por eu não conseguir ajudá-lo todos os dias nas atividades escolares. Eu chego tarde do trabalho. Estou cansada e ele também.”

Com a rotina, Tiffane Raane tem adiado o desejo de retomar a faculdade de educação física para tentar alcançar uma melhor remuneração. O curso foi trancado no quarto semestre.

Articulação de mulheres

Na quinta-feira (5), a Articulação Nacional de 8 de Março – apoiada por mais de 300 organizações de movimentos sociais do Brasil em defesa dos direitos das mulheres – entregou ao Ministério das Mulheres o Manifesto Nacional do 8 de Março Unificado 2026: Pela vida das mulheres: contra o imperialismo, por democracia, soberania e pelo fim da escala 6x1. (foto em destaque)

O documento explica o que motiva a luta.

“Esse modelo rouba o tempo, adoece corpos e aprofunda desigualdades. Defender o fim da escala 6×1 é defender o direito de viver com dignidade, enfrentando a lógica neoliberal que transforma a vida em mercadoria.”

O manifesto foi elaborado a partir das decisões da 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, em 2025, na capital federal.

Aprovação popular

Uma pesquisa de opinião da Nexus (janeiro/fevereiro de 2026) revela que cerca de 84% dos brasileiros defendem ao menos dois dias de descanso semanalO levantamento aponta ainda que 73% dos entrevistados apoiam o fim da escala 6x1, desde que os salários sejam mantidos.

A opinião de Jeisiane Magalhães Faria reforça as estatísticas. Há cinco anos, ela é balconista de uma farmácia no Plano Piloto, em Brasília, e trabalha na escala 6x1. Jeisinane relembra que já perdeu a conta de quantos eventos familiares não esteve presente devido ao emprego. 

A balconista faz graduação em farmácia e gostaria de ter mais tempo para se dedicar aos estudos e a outros aspectos de sua vida. 

O descanso, para Jeisiane, longe de ser uma perda de tempo, pode gerar um impacto positivo também no rendimento laboral. “Você pode trabalhar melhor, porque tem dias que realmente é cansativo devido, por exemplo, ao transtorno de passar muito tempo no ônibus lotado para vir trabalhar.”

Embate econômico

Apesar do apoio popular, setores da indústria e do comércio contestam a ideia e projetam consequências negativas em caso de aprovação do fim da jornada 6x1.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a medida pode aumentar o custo empresarial em até R$ 267 bilhões ao ano, com empregados formais na economia, o equivalente a um acréscimo de até 7% na folha de pagamentos. E vai além, “caso as horas não sejam repostas, a redução do limite semanal [de horas trabalhadas] resultará em queda da atividade econômica”, diz a CNI.

Outro estudo apresentado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) explica os efeitos da redução da jornada de trabalho podem impactar na preservação de 631 mil empregos formais e na competitividade.

Segundo a entidade, a diminuição do limite constitucional atual (44 horas semanais) para 40 horas de trabalho, com o fim da escala 6×1, pode elevar o preço dos produtos consumidos pela população em até 13%. Outra conclusão do estudo é que a mudança na legislação resultará na elevação de custos na ordem de R$ 122,4 bilhões por ano, no comércio. A CNC defende que as possíveis alterações sejam feitas a partir de negociação coletiva.

Bem-estar social

A secretária do Ministério das Mulheres, Sandra Kennedy, contesta os posicionamentos dos empregadores e destaca que, ao longo da história, as trabalhadoras e os trabalhadores sempre enfrentaram esse tipo de argumento quando querem melhorar as vidas.

“Imagine quando tínhamos as cargas horárias de 12, 14, 16 horas. Obviamente que quem representa os interesses do capital no Congresso usa uma narrativa que é uma falácia, quando associa a melhor qualidade de vida do trabalhador ao aumento do desemprego.”

O estudo O Brasil está pronto para trabalhar menos: a PEC da redução da jornada e o fim da escala 6x1, do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit/Unicamp) , respalda o entendimento da secretária.

A pesquisa projeta um cenário distinto dos dimensionados pela CNC e pela CNI. Com base na PNAD Contínua do IBGE, caso o fim da escala 6 x 1 seja aprovado no Congresso Nacional, pelo menos 37% dos trabalhadores brasileiros serão afetados beneficamente.

A pesquisadora do Cesit/Unicamp, a economista Marilane Teixeira, estima que a mudança pode gerar 4,5 milhões de empregos e elevar a produtividade no país.

Tramitação no Legislativo

Atualmente a questão está em debate na Câmara dos Deputados. Em fevereiro deste ano, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, posteriormente, o tema deve seguir para uma comissão especial. Motta considera viável a votação da proposta em maio pelo plenário da Câmara.

O governo federal tem pressa. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, já afirmou que o Executivo poderá enviar um projeto de lei com urgência para o Congresso Nacional, para unificar as diversas propostas que já tramitam no parlamento, caso as discussões que tratam do tema não caminhem na “velocidade desejada”.

Mobilização e política

Uma petição pública online  criada em setembro de 2023 pelo Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e endereçada ao Congresso Nacional, ganhou repercussão nacional ao pedir um modelo mais flexível de trabalho.

O texto sugere a reavaliação das práticas de trabalho que afetam a saúde e o equilíbrio entre vida profissional e pessoal. “Trabalhadores saudáveis e satisfeitos são mais produtivos e contribuem para o desenvolvimento sustentável do país”, diz o documento. O abaixo-assinado conta com quase 3 milhões de assinaturas.

Fonte: Agência Brasil

domingo, 8 de março de 2026

Consórcio Nordeste lança campanha regional em defesa da vida das mulheres

Os nove estados se unem em campanha inédita que foca na prevenção e na responsabilização dos homens para frear a violência contra a mulher

O Consórcio Nordeste lança, neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a campanha “Compromisso Nordeste Pelo Fim da Violência Contra a Mulher - Prevenir é agir. Proteger é fortalecer. Responsabilizar é transformar”. A iniciativa integra os nove estados da região em um pacto para proteger a vida de mulheres e meninas, reforçando o papel do Consórcio como articulador de políticas públicas integradas.

O objetivo é fortalecer as redes estaduais de proteção, ampliar o acesso a canais de denúncia, estimular a identificação precoce de sinais de abuso e, sobretudo, engajar ativamente os homens e a sociedade na responsabilidade preventiva.

“O Nordeste se une ao pacto nacional para proteger a vida das mulheres. Esta campanha não será restrita apenas a datas pontuais. Ela é o marco inicial de uma ação contínua que busca ampliar o potencial das nossas vozes e ações para interromper o ciclo de violência contra a mulher, trazendo mais informações, ampliando nossa rede de proteção e, especialmente, atuando para mudar a cultura predominante em nossa sociedade, pois não podemos mais normalizar comportamentos abusivos”, afirma Paulo Dantas, presidente do Consórcio Nordeste e governador de Alagoas.


Segundo dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), o número de feminicídios no país vem aumentando. Em 2025, o Brasil registrou 1.547 vítimas de feminicídio, uma média de quatro mortes por dia. Na Região Nordeste, foram 425 vítimas de feminicídio no ano passado, mais de uma mulher assassinada a cada dia. 

O cenário em 2026 já apresenta novos registros confirmados, só em janeiro, o sistema mostra que 33 mulheres foram vítimas de feminicídio na região Nordeste. Dado que reforça a urgência de uma resposta contínua e regionalizada.

“Os dados da violência contra a mulher mostram que a agressão vem, predominantemente, de alguém do sexo masculino, e nossa campanha traz um recorte importante de diálogo com os homens. Estamos chamando-os para que assumam seu papel nessa desconstrução cultural, pois só com a responsabilização e o engajamento de toda a sociedade iremos conseguir vencer a misoginia e proteger a vida das nossas mulheres e meninas”, destaca a coordenadora da Câmara Temática de Mulheres do Consórcio Nordeste e secretária de Mulheres da Paraíba, Lídia Moura.

O Consórcio Nordeste entende que o enfrentamento à violência exige ações conjuntas e utiliza sua expertise de articulação regional para unificar as narrativas e potencializar as políticas públicas que os estados já desenvolvem individualmente. Com a campanha, a mensagem será amplificada e as ações de proteção irão se tornar mais efetivas em todo o território nordestino, potencializando o impacto regional no enfrentamento à violência de gênero.

A campanha “Compromisso Nordeste Pelo Fim da Violência Contra a Mulher” está estruturada em três eixos:
  • Previnir é agir - com ações de informação e orientação;
  • Proteger é fortalecer - com a divulgação de canais, rede de proteção e políticas públicas;
  • Responsabilizar é transformar - com ações de mobilização direcionadas à sociedade e aos homens.

Prevenção e identificação precoce

A violência contra a mulher é um fenômeno estrutural, persistente e de alta complexidade que não começa no feminicídio; ele é o desfecho de um ciclo de controle, ameaças, humilhações e agressões psicológicas, que escalam para agressões corporais e passam por descumprimento de medidas protetivas.

A campanha foca em ajudar as mulheres a identificar esses sinais precocemente, informando sobre direitos e locais de acolhimento para interromper o ciclo antes que ele resulte em uma violência física.


Mudança de cultura e responsabilização

Os dados sobre violência de gênero mostram que a maioria dos autores são homens e, entendendo que a violência de gênero é uma questão pública e coletiva, um dos pilares centrais da ação é o diálogo direto com o público masculino. A estratégia da campanha busca estimular uma mudança cultural, incentivando os homens a assumirem sua responsabilidade social na prevenção e a não normalizarem comportamentos abusivos, em combate ao machismo estrutural.

Do digital ao território

Além da forte presença nas redes sociais, a mobilização terá um Eixo Territorial. Cada estado realizará ações presenciais, como mutirões de atendimento jurídico e psicossocial, rodas de conversa sobre envolvimento masculino e atividades educativas em escolas e universidades. O objetivo é levar a rede de proteção para além do ambiente digital, alcançando as comunidades de forma direta.



SERVIÇO:

Campanha: Compromisso Nordeste Pelo Fim da Violência Contra a Mulher – “Prevenir é agir. Proteger é fortalecer. Responsabilizar é transformar”.

Onde acompanhar: Redes sociais oficiais do Consórcio @consorcionordeste.brasil
(Instagram, X, Facebook e LinkedIn) e nos canais oficiais dos nove governos estaduais.


Em Olinda, governadora Raquel Lyra anuncia obras de R$ 1,4 milhão de contenção de encostas e reforma do Santuário Mãe Rainha

A iniciativa irá restaurar local que recebe os romeiros, oferecendo maior infraestrutura ao Santuário


Garantindo segurança e preservação do patrimônio religioso e turístico de Olinda, a governadora Raquel Lyra autorizou, neste domingo (8), a abertura de licitação para serviços de recuperação da encosta e reforma estrutural da tenda dos peregrinos do Santuário Mãe Rainha, em Ouro Preto. Com investimento de R$ 1,4 milhão do Governo do Estado, a intervenção irá mitigar riscos de deslizamento e requalificar os espaços de uso coletivo. O edital de licitação será publicado na próxima edição do Diário Oficial do Estado.

“Fomos procurados por aqueles que fazem o Santuário Mãe Rainha para que a gente pudesse cuidar da encosta, diante dos riscos de deslizamento que essa área sofre. Hoje, autorizamos o edital de licitação para garantir a preservação do morro, a estabilização do solo e a reforma das estruturas que acolhem diversas pessoas em seu momento de peregrinação e manifestação da sua fé. Agradeço a parceria com a Arquidiocese de Olinda e Recife, que tem feito um trabalho em conjunto conosco em diversas reformas estruturais em nossas igrejas”, ressaltou Raquel Lyra.


A chefe do Executivo estadual acompanhou a missa conduzida pelo Arcebispo de Olinda e Recife, Dom Paulo Jackson. Após a solenidade, a gestora ainda visitou o local onde acontecerão as obras. Neste domingo, o Santuário Mãe Rainha recebeu a programação da IV Romaria dos Terços dos Homens (THMR), com um público de 4 mil pessoas.

O reitor do Santuário Mãe Rainha, padre Filipe Araújo, lembra que o espaço que originalmente recebe os peregrinos está fechado há dois anos. “A tenda é um espaço muito importante para acolher melhor os peregrinos e está sem uso desde 2024. Esse espaço é fundamental para o Santuário. Hoje, recebemos com grande alegria esse presente do Governo do Estado, dando mais segurança para o Santuário e milhares de peregrinos”, disse o sacerdote.


A iniciativa irá garantir a recuperação de áreas de risco, dando maior estabilidade e melhorando as condições de uso do espaço público e de interesse coletivo, como explica a secretária de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Simone Nunes. "Temos um risco geológico de deslocamento de terra, o que compromete a segurança das pessoas que transitam no Santuário que, além de ser um local de fé, é também um local cultural. Essa é uma ação faz parte do pacote de obras que o Governo do Pernambuco tem feito em várias encostas em todo o Estado”, detalhou.

As intervenções terão o período de quatro meses e incluem a estabilidade do terreno, instalações elétricas, drenagem e diversas outras melhorias físicas, como construção de muretas e telhamento metálico. “É uma obra muito importantes para Olinda, mas também para Pernambuco e o Nordeste, porque esse espaço recebe romeiros de diferentes locais. Tivemos um problema sério da encosta do Santuário e o Governo do Estado, demonstra sensibilidade e cuidado com o povo de Pernambuco e seus visitantes”, pontuou o deputado estadual Antônio Moraes, que acompanhou o evento.

O peregrino Rubens Gonçalves, de 62 anos, participa das missas no Santuário Mãe Rainha há 30 anos e celebrou o anúncio das intervenções. “Essa é uma grande obra. É preciso ser feito o serviço de contenção da encosta e depois reconstruir a tenda, isso gera um custo enorme. Com o suporte do Governo do Estado, nós vamos conseguir realizar esse sonho”, comentou.

Estiveram presentes a secretária da Mulher, Juliana Gouveia, os secretários executivos Daniella Brito (Imprensa), José Pereira (Casa Civil), Igor Cadena (Casa Civil), o prefeito de Olinda em exercício, Chiquinho, além de vereadores e lideranças locais.

Fotos: Yacy Ribeiro/Secom

Violência Contra a Mulher: O Alerta que o 8 de Março Precisa Reforçar

Por Daniele Medeiros

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 08 de março, não pode ser apenas uma data de homenagens simbólicas. Celebrar as conquistas das mulheres é importante, mas é igualmente necessário reconhecer que ainda existe um longo caminho a percorrer para garantir segurança, igualdade e dignidade. A data precisa se materializar em ações que realmente protejam e reconheçam o valor da mulher na sociedade. O 08 de março precisa mobilizar a sociedade e as instituições especialmente no combate à violência doméstica e familiar. Infelizmente, a violência contra as mulheres no Brasil continua sendo uma realidade dramática e persistente. 

Diariamente nos deparamos com inúmeras notícias de mulheres sendo vitimadas pela violência. Há avanços legislativos e institucionais é verdade, contudo, são avanços tímidos, diante de milhares de brasileiras que ainda vivem sob risco de violência dentro de suas próprias casas — justamente no espaço que deveria ser de proteção. A análise do Lesfem aponta que, entre os quase 7 mil casos consumados e tentados de feminicídio em 2025, predomina o crime no âmbito íntimo (75%), sendo que, a maioria das mulheres foi morta ou agredida na própria casa (38%) ou na residência do casal (21%) (https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-03/numero-de-vitimas-de-feminicidio-supera-em-38-registros-oficiais).

O feminicídio é a face mais extrema dessa violência — inúmeras mulheres sendo mortas em razão de seu gênero. Mas um dado recente revela algo ainda mais preocupante. A pesquisa Retratos do feminicídio no Brasil revela que no contexto de 1.127 feminicídios registrados em 2021-2025, 148 mulheres (13,1%) foram mortas mesmo tendo uma Medida Protetiva de Urgência (MPU) vigente. Esse dado revela a necessidade urgente de aprimoramento no monitoramento das medidas protetivas de urgência. É importante afirmar que a MPU tem sido um mecanismo que salva vidas sim, inclusive uma pesquisa de 2023 em Mato Grosso revelou que 80% das vítimas de feminicídio não tinham medida protetiva concedida pelo Judiciário. (DPEMT - Pesquisa revela que 60% das vítimas de feminicídio tinham relatado violência prévia para família e amigos)
O fato é que o Brasil ainda enfrenta uma cultura marcada por desigualdades de gênero, fundamentadas na prática do machismo e misoginia.

Nesse contexto, reconhecer o 08 de março significa fortalecer políticas públicas, ampliar redes de apoio, facilitar o acesso à justiça e divulgar instrumentos de proteção. Significa, sobretudo, garantir que mais mulheres saibam que a denúncia é um passo possível e que a medida protetiva pode representar a diferença entre viver e morrer.
O sincero desejo do dia de hoje, é que nenhuma mulher precise morrer mais para que a sociedade reconheça o valor da sua vida.
 
Daniele Medeiros é docente do UniFavip Wyden advogada, Mestra e doutoranda em Direito pela Unicap, especialista em Direitos Humanos pela UFPE, presidenta da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Caruaru.