Alunos contam com rede de apoio especializada para garantir o direito à educação acessível
O Dia Nacional dos Surdos, celebrado no próximo sábado (26), representa um marco para a comunidade surda brasileira, reforçando a valorização das suas identidades e a importância da luta pela acessibilidade. Oficializada em 2008, a data marca a fundação da primeira escola de surdos no Brasil, em 1857. Atualmente, estudantes surdos, surdocegos e com deficiência auditiva da Rede Estadual de Ensino de Pernambuco recebem o suporte de 184 professores instrutores e 569 intérpretes de Libras, além de 1.175 professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE), profissionais essenciais para garantir o direito à educação acessível e de qualidade.
A trajetória de Gabriel Holanda, estudante de 21 anos, ilustra como o fortalecimento dessa rede de apoio especializada e das políticas de inclusão da Secretaria de Educação de Pernambuco (SEE) impactam o cotidiano escolar. Aluno surdo e com deficiência motora da Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Professor Trajano de Mendonça, na Zona Oeste do Recife, foi lá que aprendeu a se comunicar em Libras e conquistou mais autonomia.
“Antes de chegar aqui, ele nunca teve contato com a língua, nem com pessoas surdas. Com o acompanhamento dos instrutores de Libras, passou a se comunicar por meio dos sinais e conseguiu estabelecer uma relação melhor com os colegas de turma, com os professores, e passou a participar mais, se sentir mais incluído”, conta Magna Reis, professora intérprete de Libras que traduz os conteúdos para Gabriel em sala de aula desde que ele chegou à escola.
O trabalho realizado pela intérprete em parceria com outros profissionais da educação inclusiva, como os instrutores de Libras, profissionais de apoio escolar e a professora do Atendimento Educacional Especializado (AEE), fizeram com que Gabriel progredisse socialmente e intelectualmente. “Hoje em dia ele consegue acompanhar muito bem os conteúdos dos diversos componentes curriculares e sempre tem um bom desempenho, chegando a se destacar na turma. Ele realmente é muito esforçado e o uso da Libras facilitou muito esse processo”, avalia Magna. A sua presença na sala de aula também auxilia na comunicação da turma com Gabriel. “Os colegas dele sempre me perguntam como sinalizar algo em Libras para falar com ele”, conta a intérprete.
Agora no terceiro ano do ensino médio, Gabriel aproveita cada momento do último ano na escola junto aos colegas e já pensa nos próximos passos. “Aqui eu sempre tive bastante apoio e consegui aprender muitos sinais para me comunicar melhor. No futuro, quero fazer faculdade na área de informática”, conta o estudante.
Na Escola Estadual Sargento Camargo, localizada na Zona Sul do Recife, outro exemplo de estudante que desenvolve suas habilidades por meio da Língua Brasileira de Sinais é Pedro Dantas, estudante surdo do 6° ano do ensino fundamental, que conta com o intérprete de Libras Carlos Gonçalves diariamente no processo de aprendizagem.
"Eu gosto muito da rotina aqui na escola. É bem interessante quando os professores trazem os conteúdos de forma visual, porque ajuda na compreensão e interpretação. Por exemplo, nas disciplinas de História e Geografia, os professores produziram um vulcão para mostrar na prática como o fenômeno acontece. A interação com outros colegas surdos também me ajuda a aprender", conta Pedro, de 16 anos.
Para as famílias, a garantia do acompanhamento especializado também representa uma conquista importante. O relato de Adriana Dantas, mãe de Pedro, evidencia a diferença que o suporte institucional e os recursos de acessibilidade promovem na trajetória escolar do estudante.
"Em determinado momento da trajetória de Pedro, eu me vi sem alternativa de escolas que fossem acessíveis e inclusivas. Várias escolas privadas aceitavam no primeiro momento e, quando percebiam que ele era surdo, diziam que não tinham vagas. Com isso, ele ficou um ano fora da escola, mas continuei procurando. Então encontrei essa escola que acolheu Pedro muito bem. É uma unidade que tem intérpretes, professor surdo e outros colegas surdos, que ajudam nesse processo. Ele está muito feliz", declara Adriana, profissional de Educação Física.
Curso de Libras
A SEE promove a difusão da Libras a partir do curso gratuito e descentralizado que oferece em todas as 16 regionais de educação do estado. Só no último semestre, foram ofertadas mais de quatro mil vagas para novos alunos na modalidade presencial. A formação completa é composta por quatro módulos. Em cada um deles, o estudante participa de uma aula por semana, durante cinco meses. O curso é voltado para quem busca fortalecer a educação inclusiva, ampliar a comunicação com a comunidade surda e, para quem possui fluência, seguir carreira como tradutor/intérprete de Libras.
A partir da sua Gerência de Políticas Educacionais de Educação Inclusiva (GEI), a SEE também promove uma série de ações formativas junto aos professores para a difusão da Libras nas unidades escolares e na comunidade durante todo ano letivo. A pasta ainda conta com o Centro de Apoio ao Surdo (CAS), responsável por multiplicar estratégias pedagógicas para atender os estudantes com surdez e surdocegueira de modo mais exequível no dia a dia escolar.