Cientista política destaca mudança na disputa, força eleitoral do Nordeste e profissionalização da comunicação nas campanhas
A eleição em Pernambuco ainda está em aberto? O cenário político do estado, o peso do Nordeste na disputa nacional e a crescente profissionalização das campanhas foram analisados pela cientista política e jornalista Dra. Priscila Lapa, em entrevista concedida ao repórter Luis Correa, do Blog do Jornalista Luiz Correia, o repórter que chega primeiro.
CENÁRIO EM MOVIMENTO
Priscila Lapa afirma que Pernambuco vive uma eleição que passou a despertar atenção nacional. Segundo ela, a pré-campanha começou com um “favoritismo absoluto” do ex-prefeito do Recife, João Campos, mas o cenário mudou com o avanço da governadora Raquel Lyra.
“Tem sido um dos estados que está chamando mais atenção porque é uma eleição que parece não resolvida.”
Para a cientista política, além da disputa pelo Governo de Pernambuco, a composição das chapas para o Senado e a participação do estado na eleição presidencial também serão pontos importantes.
O PESO DO NORDESTE
Na avaliação de Priscila, Pernambuco mantém relevância na política brasileira pela tradição e pela influência de suas lideranças.
“Pernambuco é muito referência nacional.”
Ela também destaca a força eleitoral do Nordeste e a importância da região para qualquer análise sobre a eleição presidencial.
“Não tem como discutir eleição nacional sem passar pelo cenário do Nordeste.”
A especialista avalia ainda que temas ligados ao desenvolvimento regional devem ganhar espaço na campanha e prevê que a xenofobia poderá voltar a aparecer no debate eleitoral.
COMUNICAÇÃO E ESTRATÉGIA
Outro ponto central da entrevista foi a profissionalização das campanhas. Para Priscila, marketing, ciência política, jornalismo, pesquisas, dados e estratégia passaram a atuar de maneira cada vez mais integrada.
“Quanto mais profissional for a campanha, mais multidisciplinar ela é.”
Segundo ela, o eleitor está submetido diariamente a uma grande quantidade de informações, o que tornou a disputa pela atenção um dos principais desafios das campanhas.
Nesse processo, a cientista política destaca a contribuição da ciência política para compreender o comportamento eleitoral e o papel do jornalismo na organização das informações recebidas pelo público.
“O profissional do jornalismo cumpre fortemente esse papel.”
FORMA, CONTEÚDO E PERFORMANCE
Priscila também chama atenção para o risco de a construção da imagem ocupar espaço maior que o conteúdo das campanhas.
“A grande questão é que a gente tem um esvaziamento de conteúdo.”
Para ela, os candidatos passaram a disputar também a capacidade de comunicação, a aparência de espontaneidade e a performance diante do eleitor.
“Cada vez mais as campanhas estão se tornando arenas de disputa sobre performance.”
A especialista ressalta ainda que pesquisas qualitativas, media training, preparação para as redes sociais e avaliações internas podem influenciar a forma como um candidato se apresenta ao público.
Na entrevista a Luis Correa, Priscila Lapa também falou sobre o comportamento dos políticos fora dos holofotes, a atuação das equipes de marketing e comunicação e a importância de conquistar a atenção do eleitor em meio ao excesso de informações.
A entrevista completa está disponível nas plataformas do Blog do Jornalista Luiz Correia, o repórter que chega primeiro.
ENTREVISTA: Luis Correa
ENTREVISTADA: Dra. Priscila Lapa — cientista política e jornalista
COLABORAÇÃO: Edival Ferreira e Nelsinho Falcão