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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Carnaval inclusivo: como preparar crianças neurodivergentes para a folia sem sobrecarga sensorial e com mais acolhimento



Cores, sons e multidões fazem parte do Carnaval, mas podem ser desafiadores para crianças neurodivergentes. Especialistas explicam como garantir previsibilidade, adaptação sensorial e inclusão real nos bailinhos e festas

O Carnaval é sinônimo de alegria, música alta, fantasias coloridas e encontros cheios de estímulos. Para muitas crianças, é um momento de encantamento. Para crianças neurodivergentes, especialmente aquelas dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA), a experiência pode ser vivida de forma muito diferente. Sons intensos, brilhos excessivos, mudanças bruscas de rotina e ambientes imprevisíveis podem gerar sobrecarga sensorial, ansiedade e até crises emocionais.

A boa notícia é que, com preparo, escuta e adaptações simples, o Carnaval pode, sim, ser um espaço de inclusão, pertencimento e afeto.

Previsibilidade: o primeiro passo para uma folia segura

Um dos pontos centrais para crianças neurodivergentes é a previsibilidade. Saber onde vão estar, com quem, por quanto tempo e quais estímulos irão encontrar faz toda a diferença.

A psicóloga Ednalva Mariano, da Clínica Mundos, reforça que antecipar informações ajuda a reduzir a ansiedade:

“Quando a criança entende o que vai acontecer, o cérebro dela se organiza melhor para lidar com os estímulos. A previsibilidade diminui o medo do desconhecido e aumenta a sensação de segurança”.

Por isso, antes de ir a um bailinho ou festa, vale conversar com a criança, mostrar fotos do local, explicar como será o ambiente e combinar sinais para a hora de ir embora, caso ela se sinta desconfortável.

O Carnaval começa em casa

Brincar o Carnaval dentro de casa é uma estratégia poderosa. Colocar músicas de frevo em volume moderado, experimentar fantasias aos poucos e simular a festa em um ambiente conhecido ajuda a criança a se adaptar gradualmente aos estímulos. Essa preparação prévia transforma o Carnaval em algo previsível e, portanto, mais confortável.

Ambientes adaptados fazem toda a diferença

Escolas, clubes e espaços de lazer também têm papel fundamental na inclusão. Reduzir o volume do som, oferecer áreas de descanso, evitar luzes estroboscópicas e respeitar o tempo de cada criança são atitudes simples, mas transformadoras.

Segundo Ednalva Mariano, inclusão não é obrigar a criança a se adaptar ao ambiente, mas adaptar o ambiente à criança.

“Inclusão real acontece quando o espaço respeita os limites sensoriais e emocionais. Nem toda criança vai querer ficar até o fim, e isso precisa ser acolhido sem julgamentos”

| Carnaval sem sobrecarga: dicas para responsáveis

  • Prepare com antecedência: explique como será a festa, mostre fotos, vídeos e combine horários.

  • Teste fantasias antes: tecidos, máscaras e adereços podem causar incômodo.

  • Controle os estímulos: prefira locais com som mais baixo e menos aglomeração.

  • Tenha um plano de saída: combine sinais para ir embora se a criança se sentir mal.

  • Leve itens de conforto: fones abafadores de ruídos, brinquedos sensoriais ou objetos familiares.

  • Respeite os limites: participação parcial também é participação.

  • Evite comparações: cada criança vive o Carnaval do seu jeito.

  • Leve água e lanche da rotina da criança ou adolescente.

Incluir é acolher, não exigir

Nem toda criança vai gostar de glitter, serpentina ou multidão. O Carnaval inclusivo é aquele que permite escolhas, respeita o silêncio, acolhe pausas e entende que alegria também pode ser calma. Ao transformar a folia em um espaço de cuidado, previsibilidade e respeito, famílias e instituições mostram que inclusão não é exceção, é compromisso. Que este Carnaval seja, acima de tudo, um convite ao acolhimento, onde cada criança possa brincar do seu jeito, no seu tempo, sentindo-se segura para ser quem é.

A CLÍNICA MUNDOS 

Espaço de atendimento terapêutico multidisciplinar para neurodivergentes, a Mundos possui clínicas no Recife (Ilha do Leite, Agamenon Magalhães e Boa Viagem), Olinda, Carpina, Vitória de Santo Antão, Caruaru, no Agreste, e agora também em Petrolina, no Sertão pernambucano. A equipe é formada por 500 profissionais, entre psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicomotricistas, psicopedagogos, fisioterapeutas, nutricionistas e musicoterapeutas.  A rede fechou 2025 com 1.385 pacientes, realizou 710 mil sessões, pouco mais de 1,5 mil avaliações neurológicas e deu 258 altas terapêuticas.

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