Se estivesse vivo, o Rei do Baião, Luiz Gonzaga, estaria completando 113 anos neste dia 13 de dezembro de 2025. Um dos maiores ícones da música popular brasileira, o “Velho Lua”, como era conhecido, colecionou sucessos ao longo da carreira artística. Nascido em 1912, no Sítio Caiçara, em Exu, no Sertão de Pernambuco, Gonzaga iniciou sua jornada musical ainda jovem.
Conquistou uma legião de fãs durante e após sua trajetória, passando de geração em geração um legado que permanece vivo.
Luiz Fausto, sobrinho de Luiz Gonzaga, mais conhecido como Piloto Gonzaga, destaca que o artista era uma pessoa muito bem-humorada. Costumava colocar apelidos nas pessoas mais próximas. “Dominguinhos, Piloto, Salário Mínimo foram nomes que ele ‘batizou’ e que permanecem até hoje. Era um homem de fé, generoso, ajudava as igrejas e a quem o procurasse. O São João com Gonzagão era sinônimo de multidão”, afirmou Fausto.
José Braxandes dos Santos, último vaqueiro de Luiz Gonzaga em Exu, relatou em entrevista ao blog a convivência com o “Velho Lua”. “Era um patrão muito bom. Sinto muita falta dele. O terreno onde hoje tenho uma casa foi ele que deu à minha família. Só tenho a agradecer por tudo que ele fez por mim”, frisou Seu José.
Em 2022, o escritor Paulo Vanderley lançou o livro “Luiz Gonzaga: 110 anos do nascimento”, dedicado ao Rei do Baião, e comentou detalhes da obra. “A inspiração do livro veio do próprio Gonzaga, de suas obras e tradições. Foram mais de trinta anos de pesquisa, colecionando tudo sobre o artista, para chegarmos a essa obra-prima sobre a vida de Luiz Gonzaga”, destacou o autor.
Santana, O Cantador, afirma que Gonzaga era um gênio e que cantar suas músicas é uma grande responsabilidade. “A efervescência do forró na Europa é coisa de cinema. Minha relação com Exu veio da amizade com Gonzaga. Nos tornamos grandes amigos, convivemos até ele ir embora para o Oriente eterno”, pontuou o artista.
Para Alcymar Monteiro, Gonzagão é o pai do Brasil musical. “Sem Luiz Gonzaga não existiria a Música Popular Brasileira, autenticamente brasileira. Ele abriu esses flancos todos para todo mundo. Deu origem à Tropicália, a Gil, Caetano, a mim, a Raimundo Fagner e a tantos outros. Luiz Gonzaga, para mim, é o grande artífice do Brasil”, declarou o músico.
O artista Gilvan Costa, residente em Natal, no Rio Grande do Norte, exalta a importância do Rei do Baião para a cultura nordestina. “Gonzaga, em si, é a cultura nordestina. Ele nos representa no que há de melhor no Nordeste. O que se vê aqui, seja a fartura ou as dificuldades que a região enfrenta, é Luiz Gonzaga. As feiras livres, os cantadores, os comerciantes e ambulantes, tudo representa Luiz Gonzaga. Foi quem mais representou e deu nome ao Nordeste”, ressaltou.
As forrozeiras Socorro e Mazé exaltam o legado e a trajetória do Rei do Baião para os artistas nordestinos. “Tudo o que sabemos sobre o ritmo nos espelhamos em Luiz Gonzaga. Na cultura nordestina, Gonzagão foi tudo”, disse a dupla.
Mais que um músico, Luiz Gonzaga é herança, identidade e resistência cultural. Um legado que o Brasil escuta, respira e carrega no coração.
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