Há 45 anos, no dia 07 de dezembro de 1980 morria Francisco Pessoa de Queirós ou F. Pessoa de Queirós, como preferia ser chamado. Foi um empresário, advogado, diplomata e político brasileiro. Um homem que soube traçar seu destino em linha reta.
A equipe de reportagem da Luz Comunicações preparou uma reportagem especial dentro do quadro “Tributo” para esse personagem que fez conjunturas históricas na comunicação e na política pernambucana.
Trajetória
Francisco Pessoa de Queirós nasceu em Umbuzeiro, no estado da Paraíba, no dia 07 de novembro de 1890. Seus pais eram João Vicente Queiroz e Mirandolina Lucena Pessoa de Queiroz, agricultores rurais.
Enviado ao Recife, foi educado pelos seus padrinhos até a graduação em 1911, na Faculdade de Direito do Recife, e no ano seguinte, especializou-se em direito internacional público pela Universidade de Paris.
Após a formatura, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde foi admitido como diplomata pelo Ministério das Relações Exteriores, atuando nos corpos diplomáticos de Londres e Buenos Aires.
Inicio da vida política
Voltando ao Rio, tornou-se assessor especial do seu tio, o então senador Epitácio Pessoa, que foi eleito presidente da república em 1919. Nesta época, Queirós também tentou concorrer a deputado federal por Pernambuco com o apoio dos irmãos João e José de Pessoa de Queirós, para dar suporte à candidatura do seu tio, mas devido a pressões das autoridades locais, lideradas pelo governador Manoel Borba, desiste da candidatura.
Em 1921 foi eleito deputado federal, cargo que exerceu por quatro legislaturas seguidas, até 1930. Representou o Congresso Brasileiro na Conferência Internacional em Bruxelas em 1925, em Roma em 1927 e no Rio de Janeiro e em Paris em 1928, como membro da Comissão de Diplomacia e Tratados.
Na eleição presidencial de 1930, Queirós apoiou a candidatura de Júlio Prestes e fez forte oposição a Getúlio Vargas e ao seu primo João Pessoa nas páginas do seu jornal.
Em 1962, retornou à vida pública, elegendo-se senador pela União Democrática Nacional (UDN), cargo que exerceu de 1963 a 1971. Sendo assim seu último cargo público.
Sistema Jornal do Commercio de Comunicação
Em 1921, assumiu a direção do Jornal do Commercio, fundado pelos seus irmãos, e a partir dele, iniciou o Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, que viria a ser um dos maiores grupos de comunicação do país.
Após a Revolução de 1930, no qual fez forte oposição a candidatura a Getúlio Vargas e ao seu primo João Pessoa nas páginas do seu jornal, foi deposto e exilado na França durante dois anos, e com a perseguição política, sofreu prejuízos materiais quando sua residência foi incendiada e o Jornal do Commercio foi empastelado, ficando fora de circulação até 1934.
Em 1946, expandiu seus negócios na comunicação com a criação do Diário da Noite, e em 1948, inaugurou a Rádio Jornal do Commercio, na época a emissora de rádio mais potente do Brasil. Em 1960, inaugurou a TV Jornal do Commercio, primeira a emitir sinal de televisão em Pernambuco e uma das mais antigas emissoras do Nordeste.
Após deixar novamente a política, passou a cuidar apenas dos seus negócios na comunicação, que em seus últimos anos de vida, entraram em profunda decadência e crise financeira.
Pernambuco falando para o mundo
A partir de 1948 esse slogan passaria a encher os pernambucanos de orgulho. As potentes ondas curtas da Rádio Jornal do Commercio, que emanadas dos transmissores de Casa Forte atravessavam os oceanos. Segundo os historiadores eram comuns vim de outros países, cartas acusando a clara recepção do sinal da emissora pernambucana.
Ano depois F. Pessoa de Queirós expandiu as retransmissões da rádio através das difusoras de Caruaru, Garanhuns, Pesqueira e Limoeiro. Como também Radiopress e agência de notícias, formando assim, para os padrões da época, um grande grupo radiofônico.
Rádio Difusora de Limoeiro
A Rádio Difusora de Limoeiro é um dos veículos de comunicação mais antigo de Pernambuco, de Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste, até Goiana, na Zona da Mata Norte do Estado. Inaugurada em 17 de outubro de 1952, foi construída dentro dos padrões arquitetônicos da época, erguida na Praça da Bandeira, no centro do município. O momento foi marcado por grande festa, reunindo todo o staff de artistas do Sistema Jornal do Commercio, comandados por Fernando Castelão.
Foram três dias de festividades, desde Jackson do Pandeiro até as musas vocalistas e bailarinas da época, Rose Rondele, Almira Castilho, Nerize Paiva, entre outras. Em discurso, Fernando Pessoa de Queiroz, presidente do Sistema Jornal do Commercio, prometeu construir uma estátua do Cristo na Serra do Redentor. Pela primeira vez ouve-se: “Limoeiro falando para o mundo”, na voz do comunicador Edelson Barbosa.
A emissora levava músicas e informações aos seus ouvintes, o locutor, Aníbal Veras, apresentava sua “Praça da Saudade”, e com ele as canções da época. O professor Vilaça (Marcos Vinicius Vilaça) escrevia e enviava para o veículo de comunicação suas crônicas da hora do almoço, para que fosse lida enquanto a população da Princesa do Capibaribe pudesse ficar bem informada. Nomes como Maria Célia, Ventura Silva, Valério Batista, Fernando Chagas, Antônio Maria entre outros, marcaram época na cidade e fizeram parte do quadro de locutores da Difusora de Limoeiro.
Morte
Francisco Pessoa de Queirós morreu no dia 07 de dezembro de 1980, exatamente um mês após completar 90 anos de idade. Seu sepultamento foi realizado no dia seguinte, no Cemitério de Santo Amaro, na capital pernambucana, Recife. Deixando dois filhos Paulo Pessoa de Queirós e Elza Pessoa de Queirós. E a esposa Maria Leontina Jouvin de Queirós, popularmente conhecida como Dona Lotinha.
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