Autora da lei que instituiu a data e do feriado estadual, a jornalista e ex-deputada Terezinha Nunes relembra, em entrevista, a história e o significado do 6 de março para o povo pernambucano
Por Luís Correa – Blog Repórter que Chegou Primeiro
A Data Magna de Pernambuco, celebrada em 6 de março, marca um dos episódios mais importantes da história do Estado: a Revolução Pernambucana de 1817, movimento que proclamou uma república e desafiou o domínio da coroa portuguesa. A data foi instituída por meio de projeto apresentado pela jornalista e ex-deputada estadual Terezinha Nunes, que também é autora da lei que transformou o dia em feriado estadual.
Em entrevista ao jornalista Luís Correa, do Blog Repórter que Chegou Primeiro, a comunicadora relembrou como surgiu a iniciativa ainda no início do seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa de Pernambuco.
Segundo ela, a proposta nasceu da constatação de que todos os estados brasileiros já possuíam uma Data Magna, enquanto Pernambuco ainda não havia oficializado um dia dedicado à sua maior referência histórica.
“Eu me elegi em 2006 e, em 2007, apresentei o projeto na Assembleia instituindo a Data Magna de Pernambuco. Todos os estados brasileiros já tinham essa data e Pernambuco não tinha”, recordou.
Escolha da data teve participação popular
De acordo com Terezinha Nunes, a escolha do dia 6 de março não foi uma decisão individual do Legislativo. O processo contou com a participação de historiadores e da população pernambucana.
Cinco datas históricas foram selecionadas por especialistas e submetidas a uma consulta pública, realizada com apoio de emissoras de rádio e televisão em todo o Estado. Durante a campanha, historiadores explicaram o significado de cada marco histórico para ajudar os cidadãos a escolher.
Ao final da enquete, venceu a data que lembra o início da Revolução Pernambucana de 1817, considerada por muitos estudiosos como uma das mais importantes revoluções do país.
O movimento representou a primeira tentativa concreta de ruptura com o domínio português, chegando a instituir um governo próprio e uma nova Constituição.
Revolução inspirou luta pela independência
Durante a entrevista, Terezinha destacou que a revolução teve impacto nacional e inspirou outros movimentos que culminariam na independência do Brasil alguns anos depois.
Naquele momento histórico, Pernambuco chegou a proclamar uma república e expulsar representantes da coroa portuguesa do governo local, com apoio de províncias vizinhas como Rio Grande do Norte e Ceará.
Apesar de ter durado cerca de 75 dias, o movimento foi severamente reprimido pelas forças portuguesas, que enviaram tropas para retomar o controle da província.
Como punição, Pernambuco perdeu parte de seu território, incluindo áreas que posteriormente formariam o estado de Alagoas e regiões do vale do Rio São Francisco.
Feriado foi instituído dez anos depois
Embora a Data Magna tenha sido criada em 2007, o feriado estadual só foi oficializado uma década depois, em 2017, ano do bicentenário da revolução.
Segundo Terezinha Nunes, inicialmente houve resistência de setores econômicos contrários à criação de um novo feriado. A mudança ocorreu após articulação política na Assembleia Legislativa.
“Em 2017, no bicentenário da revolução, nós conseguimos unir governo e oposição. Apresentei o projeto junto com o deputado Izaltino Nascimento e tivemos aprovação unânime dos 49 deputados”, explicou.
Para a ex-deputada, o feriado cumpre um papel importante na preservação da memória histórica do Estado.
“Quando existe um feriado, as pessoas param, refletem, leem e discutem a história. Assim, conhecem melhor o passado e o espírito libertário de Pernambuco”, afirmou.
A Data Magna se consolidou, desde então, como um momento de reflexão sobre a identidade pernambucana e sobre a importância da Revolução de 1817 para a formação política do Brasil.
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