Estado soma quase 300 mil mulheres à frente de negócios, com crescimento na abertura de empresas. Atividades de Saúde e Bem-estar, Moda e Confecção e Serviços de Alimentação concentram maior presença feminina
O empreendedorismo feminino vem se consolidando como uma força cada vez mais presente na economia de Pernambuco. Representando quase 52% da população do estado – o equivalente a 4,97 milhões de pessoas -, as mulheres também têm ganhado espaço no ambiente de negócios. Segundo dados da Receita Federal, atualmente, cerca de 294 mil empreendedoras estão à frente de negócios em Pernambuco – 96% delas, inseridas no universo das micro e pequenas empresas.
Ao todo, são quase 290 mil pequenos negócios geridos por mulheres em todo o estado, dos quais 54% estão formalizados como microempreendedores individuais. Essa participação se revela de forma relativamente equilibrada entre os setores. Comércio (45,5%), Serviços (45,1%) e Indústria (44,9%) são os que concentram maior presença feminina, mas é nas atividades das áreas de Saúde e Bem-estar (19,2%), Moda e Confecção (14,2%) e Serviços de Alimentação (9,1%) que essa atuação ganha contornos mais evidentes, revelando vocações já consolidadas.
*Abertura de novos negócios acelera*
Mais do que ocupar espaço, as mulheres têm ampliado sua presença na criação de novos negócios. Nos últimos dois anos, o ritmo de abertura de empresas lideradas por mulheres cresceu de forma consistente. Em 2024, foram 34,9 mil novos empreendimentos. Já em 2025, esse número avançou de forma signifi cativa, alcançando 47,9 mil novos registros.
Para a Líder de Inteligência de Mercado do Sebrae/PE, Sylvia Siqueira, esse movimento vai além dos indicadores econômicos. Ele revela que o empreendedorismo vem sendo visto como um caminho concreto para a geração de renda, a autonomia e a inclusão produtiva.
“O crescimento do empreendedorismo feminino em Pernambuco demonstra a capacidade das mulheres transformarem desafios em oportunidades. Quando uma mulher empreende, ela gera impacto não apenas para si, mas também para sua família, sua comunidade e toda a economia local”, destaca. A prova disso é que, no estado, 42% das mulheres são consideradas chefes de domicílio, segundo dados da PNAD Contínua.
*Protagonismo feminino no interior*
O avanço do empreendedorismo feminino também se reflete fora dos grandes centros e ganha força em outras partes do estado. O arquipélago de Fernando de Noronha lidera em representatividade, com 55,7% dos empreendedores do território sendo mulheres. Na sequência, surgem municípios do Sertão, como Dormentes (49,9%), Granito (49,1%), Itacuruba (48,6%) e Carnaubeira da Penha (47,6%) - todos com percentuais próximos à metade do total de empreendedores locais.
*Empreender também é caminho na maturidade*
O perfil das empreendedoras pernambucanas mostra uma concentração maior entre mulheres de 30 a 49 anos, fase em que muitas já acumulam experiência profissional e buscam maior autonomia. No total, são 146,5 mil mulheres empreendedoras nessa faixa etária.
Chama atenção também o número de empreendedoras com idade entre 60 e 80 anos (29,7 mil), que seguem à frente de seus negócios e reforçam o empreendedorismo como alternativa de renda ao longo da vida.
*Informalidade ainda é desafio*
Apesar do crescimento do mercado formal, a informalidade ainda é um desafio relevante entre as mulheres. Uma parcela significativa das mulheres no estado permanece fora da formalização, seja sem carteira assinada ou sem registro como empresa. No caso das empreendedoras, a ausência de CNPJ impõe barreiras importantes que impactam diretamente o potencial de crescimento dos negócios. “A formalização é um passo fundamental para que essas mulheres tenham acesso a proteção social, crédito e novas oportunidades de crescimento no mercado, além de garantir mais segurança para o negócio”, reflete Sylvia.
*Apoio para transformar potencial em crescimento*
O Sebrae acompanha de perto o avanço do empreendedorismo feminino e, para fortalecer a competitividade desses negócios, desenvolve iniciativas como o Sebrae Delas. O programa reúne ações de capacitação, conexão e acesso a mercado, estimulando o desenvolvimento de competências, o fortalecimento dos negócios e a ampliação de oportunidades.
A iniciativa também incentiva a formação de redes de apoio entre mulheres empreendedoras, contribuindo para o crescimento sustentável desses empreendimentos. “Nosso papel é criar condições para que essas empreendedoras avancem, se formalizem e tenham acesso a conhecimento e oportunidades. Investir no empreendedorismo feminino é investir no desenvolvimento sustentável de Pernambuco”, ressalta Sylvia Siqueira.
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