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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Sudene inicia processo de regulamentação de nova lei que amplia acesso de cooperativas ao FDNE

Mudança permitirá que cooperativas apresentem projetos para financiamento com recursos do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste

A entrada em vigor da Lei Complementar nº 231/2026 abre uma nova etapa para a política de desenvolvimento regional brasileira ao permitir que cooperativas tenham acesso aos recursos dos fundos constitucionais de desenvolvimento regional. No caso do Nordeste, a medida habilita cooperativas enquadradas na legislação do setor a pleitearem financiamentos do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), administrado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

Publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (17), a norma inclui as cooperativas entre os potenciais beneficiários do FDNE, ampliando as possibilidades de financiamento para empreendimentos voltados à infraestrutura e às atividades produtivas na área de atuação da Sudene.

Com a nova legislação em vigor, a autarquia dará início ao processo de adequação dos normativos e procedimentos operacionais do Fundo para incorporar formalmente as cooperativas entre os públicos aptos a acessar os recursos. Segundo o diretor de Gestão de Fundos e Incentivos Fiscais da Sudene, Wandemberg Almeida, o momento marca uma mudança histórica para o cooperativismo brasileiro e para a política de desenvolvimento regional.
"A lei já está vigente, mas agora se inicia uma etapa importante de regulamentação operacional. A Sudene vai promover a adequação dos normativos, dos manuais operacionais e dos critérios de enquadramento para incluir as cooperativas entre os beneficiários aptos a apresentar projetos ao FDNE", explica.

Além da atualização dos procedimentos internos, a expectativa é que as próprias cooperativas iniciem um processo de preparação para acessar os recursos. Entre os requisitos estão a regularidade jurídica, o enquadramento na legislação cooperativista e a elaboração de projetos técnica, econômica e ambientalmente viáveis.

Após essa etapa, as cooperativas poderão apresentar consultas e propostas de financiamento, que seguirão o fluxo de análise já previsto para o Fundo, incluindo a participação das instituições financeiras responsáveis pela operação dos recursos.

*Potencial*
A ampliação do acesso ao FDNE poderá beneficiar diversos segmentos econômicos com forte presença cooperativista na Região, como agropecuária, agroindústria, agricultura irrigada, energias renováveis, produção de biocombustíveis e biometano, além de projetos de infraestrutura logística.

Para a Sudene, a medida tem potencial para ampliar os investimentos produtivos no Nordeste e fortalecer cadeias econômicas estratégicas, especialmente no interior da Região. "A expectativa é ampliar o acesso ao crédito de longo prazo, estimular novos investimentos, gerar emprego e renda e fortalecer a interiorização do desenvolvimento. As cooperativas exercem papel relevante na economia nordestina e essa mudança amplia as oportunidades para que contribuam ainda mais com o desenvolvimento regional", afirma Wandemberg Almeida.

O diretor destaca ainda que a legislação representa um dos avanços mais importantes dos últimos anos para o setor. "As cooperativas passam a ter acesso aos mesmos instrumentos federais de financiamento disponíveis para empresas tradicionais, criando condições mais equilibradas para impulsionar projetos estruturantes e ampliar a competitividade dessas organizações", acrescenta.

*Projetos estruturantes*
A Lei Complementar nº 231/2026 beneficia cooperativas regidas pela Política Nacional de Cooperativismo e pelo Sistema Nacional de Crédito Cooperativo. Além do FDNE, a norma permite o acesso ao Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA) e ao Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO).

Os três fundos financiam projetos de infraestrutura, serviços públicos e empreendimentos produtivos considerados estratégicos para o desenvolvimento regional. No Nordeste, a expectativa é que a medida amplie as oportunidades de financiamento para cooperativas já consolidadas e também para iniciativas com potencial de dinamizar economias locais, aumentar a produtividade e promover a inclusão econômica em municípios do interior.

Enquanto avança na regulamentação da nova lei, a Sudene orienta as cooperativas interessadas a acompanhar as futuras atualizações normativas e a iniciar a estruturação de projetos alinhados aos critérios técnicos exigidos pelo Fundo.

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