Ações educativas, de acompanhamento e de adequação do cardápio dos estudantes aproximam as profissionais de nutrição do dia a dia da comunidade escolar
O trabalho do nutricionista escolar vai muito além da definição de quais alimentos entram no cardápio dos alunos. Nas escolas da rede estadual de ensino de Pernambuco, esse ofício é muito mais significativo. Os quase 500 mil estudantes que se alimentam diariamente nos refeitórios das escolas estaduais também têm uma relação de ensino-aprendizagem com os nutricionistas. Nesta segunda-feira, 31 de agosto, data que homenageia esses profissionais, as ações de Educação Alimentar e Nutricional (EAN) realizadas nas unidades de ensino lembram alguns deles o motivo pelo qual escolheram a profissão.
Quando Natália Nascimento escolheu trabalhar com nutrição, ela já sabia que queria cuidar da saúde de crianças e adolescentes. Hoje, ela atua como nutricionista nas escolas da Gerência Regional de Educação (GRE) Recife Norte, da Secretaria de Educação de Pernambuco, na capital pernambucana. Sua rotina passa, como esperado, pelo acompanhamento do estoque dos alimentos e do preparo da merenda e pela capacitação das equipes de cozinha. Mas o contato com os estudantes é parte fundamental do trabalho.
“Uma das ações que eu considero mais importantes e que eu mais gosto é a de Educação Alimentar e Nutricional, em que a gente tem esse contato direto com os alunos de forma educativa. A gente realiza essas ações para que eles conheçam os alimentos saudáveis, como se alimentar bem, quais não são bons no dia a dia, como fazer boas escolhas. E também ações educativas sobre como implantar hortas, para que eles consigam levar esses conhecimentos para casa”, conta Natália.
Na quinta-feira passada (26), ela levou uma dessas atividades para estudantes do Centro Educacional Inclusivo Ulisses Pernambucano, no bairro de Santo Amaro. A ação foi desenvolvida durante a Semana Estadual da Pessoa com Deficiência e trabalhou a relação dos alimentos com as cores e com os sentidos humanos. “A gente foi trazendo de forma simples para que eles entendessem como realizar escolhas alimentares e como montar um lanche ou almoço saudável”, explica a nutricionista. Por conta dessa atividade, um dos estudantes comeu, pela primeira vez, os alimentos disponibilizados na escola.
A experiência positiva de Natália com os estudantes da rede estadual de ensino se soma à de Elisangela Dias, também nutricionista da GRE Recife Norte. Recentemente, ela levou uma das ações da EAN para o Centro Integrado de Educação Infantil Bem-Me-Quer, no arquipélago de Fernando de Noronha. Com uma contação de histórias e uma abordagem relacionando os alimentos às cores de um semáforo, Elisangela explicou a importância de uma alimentação saudável às crianças da educação infantil.
“Essa historinha que eu estava contando é de uma menina que não gostava de comer frutas e legumes porque foi criada na cidade. Então ela foi pro sítio da avó, onde tudo é plantado. A avó passa a ensinar à neta como é que os alimentos surgem, do plantio à colheita. Então, a menina adquire esse hábito e compartilha com os amigos quando volta”, detalha Elisangela. Depois desse momento, ela fez uma atividade com os pequenos para relacionar as cores verde, amarela e vermelha aos alimentos que devemos aumentar, ter atenção ou reduzir no cotidiano.
Nutricionista há 26 anos, Elisangela conta que trabalha há 13 com alimentação escolar. Na rede pública de ensino de Pernambuco, são três anos dedicados à nutrição. “Quando cheguei na educação, eu pensei ‘é isso aqui que eu quero seguir’. Eu me identifico muito e me sinto realizada. Gosto dessa parte lúdica, de falar sobre alimentação saudável para eles”, comenta.
Para as duas, o reconhecimento pelo trabalho vem de lugares diferentes, mas sempre de maneira feliz. “Já ouvi vários relatos de gestores que falam do trabalho que eu desenvolvo nas escolas. A parceria entre a gestão e a nutricionista ajuda muito e contribui para que as coisas fluam. Então eles reconhecem o trabalho, a dedicação e a parceria”, diz Elisangela.
Natália, por sua vez, conta que a mãe de um estudante agradeceu a ela e às agentes de alimentação pela intervenção que realizaram no cardápio do seu filho com diabetes tipo 1. “O sentimento é de realização, de estar seguindo no caminho certo e estar fazendo a diferença. Quando as mães e os meninos vêm agradecer que um problema foi resolvido, que estão felizes que, graças a uma intervenção que eu fiz, a vida deles melhorou um pouquinho, é extremamente satisfatório”, comemora.
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