A mobilização aconteceu em 16 praias e localidades do arquipélago; plástico foi o resíduo mais encontrado
O Clean Up Day, Dia Mundial de Limpeza, reuniu, nesta segunda (21), em Fernando de Noronha, 148 voluntários numa ação de sensibilização sobre a importância da conservação do meio ambiente e da saúde dos oceanos. Os participantes refletiram sobre a problemática do descarte incorreto de resíduos no ambiente e se dividiram em 16 praias e localidades. Em uma hora de atividade, foram retirados 230,025 quilos de resíduos.
Em Noronha, a iniciativa reuniu instituições, organizações, projetos socioambientais, moradores e crianças em diferentes pontos da ilha. Pela primeira vez, participantes da Regata Internacional Recife–Fernando de Noronha (Refeno) também integraram a mobilização.
A ação aconteceu no Porto, Caieira, Sueste, Boldró, Leão, Cacimba do Padre, Bode, Quixabinha, Atalaia, Cachorro, Meio, Conceição, Air France, Abreus e Capim Açu. O Porto concentrou 25 voluntários e registrou 50,370 kg de resíduos. Também foram recolhidos 39,290 kg na Atalaia, 36,465 kg nos Abreus e 34 kg no Capim Açu. O plástico foi o material encontrado com maior frequência.
Para a educadora ambiental Fabiane Vilela, a mobilização foi além da retirada dos resíduos das praias. “O Clean Up Day é o Dia Mundial da Limpeza e a gente não pode ficar de fora. Temos muito resíduo que chega pela corrente marinha, muito plástico, e também tem os resíduos que acabam sendo gerados aqui pela ilha de forma irregular. Esse evento vem para sensibilizar as pessoas sobre o quanto a gente coleta, em uma hora, de resíduos que deveriam estar no lixo e não nas praias”, afirmou.
Fabiane também destacou o caráter educativo da iniciativa. “Esse evento é uma ação de educação ambiental que busca sensibilizar tanto quem participa quanto quem acompanha a mobilização e estimula uma reflexão sobre o que a gente está fazendo com os nossos resíduos e com o nosso planeta. A gente precisa usar menos resíduos, optar por coisas mais sustentáveis e fazer a coleta seletiva”, completou.
Mariana Rego, pesquisadora do O Projeto Ecotuba da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), chamou a atenção para os impactos sobre a fauna marinha. “Temos que lembrar que todo esse lixo que está sendo encontrado está indo para a barriga desses animais. É muito importante que a população entenda que, ao chegar à praia e encontrar um canudo ou qualquer outro resíduo, deve recolher e descartar no lugar certo”, alertou.
Segundo Mariana, os efeitos também vêm sendo observados nos tubarões estudados pelo projeto. “Estamos observando alterações no desenvolvimento embrionário. Antigamente era muito raro encontrar tubarões com deformações e hoje isso tem sido observado com mais frequência. Isso provavelmente está relacionado aos microplásticos, aos resíduos e aos contaminantes que chegam ao oceano”, explicou.
A participação das crianças reforçou o caráter educativo da ação. Lucas Costa, do Projeto Alma Solar, destacou a importância de trabalhar a cultura oceânica com as novas gerações. “O projeto social não ensina só a usar o mar, mas também a cuidar do mar. Mesmo morando em um lugar protegido, a gente não está livre do lixo que é jogado no resto do mundo”, ressaltou.
Na Caieira, em cerca de meia hora de atividade, o grupo já havia encontrado uma grande quantidade de tampinhas plásticas. Para Lucas, a importância da mobilização vai além do material retirado das praias. “Essa atividade é muito mais do que uma coleta. É uma mensagem que a gente está tentando passar para o mundo inteiro”.
O Clean Up Day é um movimento mundial de mobilização para a limpeza de praias e outros ambientes e de conscientização sobre o descarte de resíduos e a conservação dos oceanos.
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