Em fevereiro, foram convocados 727 analistas de psicologia educacional, garantindo um profissional para cada escola da rede estadual
Todas as escolas estaduais de Pernambuco já estão recebendo psicólogos para promover o cuidado com a saúde mental nas comunidades escolares. Após a chegada de 727 analistas de psicologia educacional convocados em fevereiro para atuar nas unidades de ensino, a Secretaria Estadual de Educação (SEE) amplia as ações do projeto EntreLaços, voltado à promoção da saúde mental e à intervenção, prevenção e enfrentamento das diferentes formas de violência no ambiente escolar.
Com a convocação, a rede estadual de ensino salta de 361 para 1.088 psicólogos. Uma das novas profissionais a integrar a rede é Estela Alves, que agora atua na Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Professor Cândido Duarte, no Recife. “Nossa presença nas escolas é fundamental para o fortalecimento da saúde mental dos alunos, promovendo a inclusão, a diversidade e um ambiente mais acolhedor. Também colaboramos para a integração entre estudantes, educadores e famílias”, pontua a analista de psicologia educacional.
A chegada de Estela na escola é repleta de expectativas da equipe gestora, estudantes e corpo docente. “Eu acho essencial ter uma psicóloga no ambiente escolar, porque a convivência nem sempre é fácil. A escola é um espaço com muitas pessoas, de idades e realidades diferentes, com quem aprendemos a lidar no dia a dia. Assim, essa profissional pode nos ajudar nesse processo e nos acolher sempre que precisarmos”, defende a estudante Evelyn Maciel, do 3º ano.
Além de contribuir diretamente para o apoio socioemocional dos estudantes, a mediação de conflitos, o acompanhamento das demandas escolares e o fortalecimento do vínculo entre escola, família e comunidade, os analistas de psicologia educacional também auxiliam professores e a equipe pedagógica. “O professor procura o psicólogo, o psicólogo procura o aluno, o aluno procura o psicólogo. O analista em psicologia não vem para clinicar e diagnosticar, mas para auxiliar no processo educacional e para entender o contexto da cognição de cada pessoa”, explica Estela.
Para a gestora da escola, Maria Aparecida Barbosa, a presença de uma psicóloga in-loco é importante para lidar com as demandas específicas da unidade no dia a dia. “Estela irá, aos poucos, se apropriando das nossas situações e questões para traçar planos de assistência. Isso abre um leque de possibilidades. A presença dela vai nos ajudar muito no contexto familiar dos estudantes, na nossa conversação com eles. Nós temos 295 estudantes. São 295 universos, com famílias e meios sociais que reverberam dentro da escola”, considera.
Neste início de atividades, a psicóloga preparou uma palestra sobre a violência de gênero e o machismo, aproveitando os movimentos de conscientização do mês das mulheres e os casos de violência que repercutem na mídia na atualidade.
Impacto
Antes mesmo da seleção simplificada que assegurou a presença de psicólogos em todas as unidades escolares no ano letivo de 2026, a SEE nomeou 276 analistas de psicologia educacional, zerando o cadastro de reserva do último concurso. Um deles foi Carlos do Vale, que chegou em maio de 2025 à Escola de Referência em Ensino Fundamental Coronel Othon, no Recife. Em menos de um ano de atuação, o profissional já destaca mudanças positivas na comunidade escolar.
“A escola vinha enfrentando dificuldades para que os alunos se sentissem pertencentes e cuidassem do ambiente escolar. Havia depredações. Então, eu trouxe um projeto de horta, que me possibilita ter um espaço de conversação com os adolescentes, onde promovo rodas que impactam a saúde mental deles, enquanto produzimos esse cuidado e pertencimento ao ambiente escolar”, explica. Carlos destaca que a iniciativa fortalece o vínculo com os adolescentes. “Eles falam das angústias, da expectativa em relação aos estudos e de alguns conflitos interpessoais, por exemplo”.
Outra ação estratégica e sistemática visando a promoção da saúde mental é o projeto de enfrentamento ao bullying com estudantes do sexto ano. “Trabalhamos, a partir das contações de histórias, situações, reflexões e tomada de decisão. Uso o recurso da ludicidade da psicologia para trabalhar com esses estudantes recém-chegados à rede estadual. A partir disso, chegam situações individuais, que a gente vai dando um direcionamento”, explica.
Valorização
Para atender à crescente demanda das escolas da rede nos últimos anos, a SEE realizou, desde 2023, uma nomeação recorde de professores e profissionais da educação. São 13.388, entre professores da educação básica (9.092 mil), de música (116) e da educação especial (209), além de analistas (1.830) e assistentes (2.141).
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