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sexta-feira, 13 de março de 2026

Chegada de psicólogos fortalece saúde mental nas escolas estaduais

Em fevereiro, foram convocados 727 analistas de psicologia educacional, garantindo um profissional para cada escola da rede estadual 

Todas as escolas estaduais de Pernambuco já estão recebendo psicólogos para promover o cuidado com a saúde mental nas comunidades escolares. Após a chegada de 727 analistas de psicologia educacional convocados em fevereiro para atuar nas unidades de ensino, a Secretaria Estadual de Educação (SEE) amplia as ações do projeto EntreLaços, voltado à promoção da saúde mental e à intervenção, prevenção e enfrentamento das diferentes formas de violência no ambiente escolar.

Com a convocação, a rede estadual de ensino salta de 361 para 1.088 psicólogos. Uma das novas profissionais a integrar a rede é Estela Alves, que agora atua na Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Professor Cândido Duarte, no Recife. “Nossa presença nas escolas é fundamental para o fortalecimento da saúde mental dos alunos, promovendo a inclusão, a diversidade e um ambiente mais acolhedor. Também colaboramos para a integração entre estudantes, educadores e famílias”, pontua a analista de psicologia educacional. 

A chegada de Estela na escola é repleta de expectativas da equipe gestora, estudantes e corpo docente. “Eu acho essencial ter uma psicóloga no ambiente escolar, porque a convivência nem sempre é fácil. A escola é um espaço com muitas pessoas, de idades e realidades diferentes, com quem aprendemos a lidar no dia a dia. Assim, essa profissional pode nos ajudar nesse processo e nos acolher sempre que precisarmos”, defende a estudante Evelyn Maciel, do 3º ano. 

Além de contribuir diretamente para o apoio socioemocional dos estudantes, a mediação de conflitos, o acompanhamento das demandas escolares e o fortalecimento do vínculo entre escola, família e comunidade, os analistas de psicologia educacional também auxiliam professores e a equipe pedagógica. “O professor procura o psicólogo, o psicólogo procura o aluno, o aluno procura o psicólogo. O analista em psicologia não vem para clinicar e diagnosticar, mas para auxiliar no processo educacional e para entender o contexto da cognição de cada pessoa”, explica Estela. 

Para a gestora da escola, Maria Aparecida Barbosa, a presença de uma psicóloga in-loco é importante para lidar com as demandas específicas da unidade no dia a dia. “Estela irá, aos poucos, se apropriando das nossas situações e questões para traçar planos de assistência. Isso abre um leque de possibilidades. A presença dela vai nos ajudar muito no contexto familiar dos estudantes, na nossa conversação com eles. Nós temos 295 estudantes. São 295 universos, com famílias e meios sociais que reverberam dentro da escola”, considera. 

Neste início de atividades, a psicóloga preparou uma palestra sobre a violência de gênero e o machismo, aproveitando os movimentos de conscientização do mês das mulheres e os casos de violência que repercutem na mídia na atualidade. 

Impacto 

Antes mesmo da seleção simplificada que assegurou a presença de psicólogos em todas as unidades escolares no ano letivo de 2026, a SEE nomeou 276 analistas de psicologia educacional, zerando o cadastro de reserva do último concurso. Um deles foi Carlos do Vale, que chegou em maio de 2025 à Escola de Referência em Ensino Fundamental Coronel Othon, no Recife. Em menos de um ano de atuação, o profissional já destaca mudanças positivas na comunidade escolar. 

“A escola vinha enfrentando dificuldades para que os alunos se sentissem pertencentes e cuidassem do ambiente escolar. Havia depredações. Então, eu trouxe um projeto de horta, que me possibilita ter um espaço de conversação com os adolescentes, onde promovo rodas que impactam a saúde mental deles, enquanto produzimos esse cuidado e pertencimento ao ambiente escolar”, explica. Carlos destaca que a iniciativa fortalece o vínculo com os adolescentes. “Eles falam das angústias, da expectativa em relação aos estudos e de alguns conflitos interpessoais, por exemplo”. 

Outra ação estratégica e sistemática visando a promoção da saúde mental  é o projeto de enfrentamento ao bullying com estudantes do sexto ano. “Trabalhamos, a partir das contações de histórias, situações, reflexões e tomada de decisão. Uso o recurso da ludicidade da psicologia para trabalhar com esses estudantes recém-chegados à rede estadual. A partir disso, chegam situações individuais, que a gente vai dando um direcionamento”, explica. 

Valorização 

Para atender à crescente demanda das escolas da rede nos últimos anos, a SEE realizou, desde 2023,  uma nomeação recorde de professores e profissionais da educação. São 13.388, entre professores da educação básica (9.092 mil), de música (116) e da educação especial (209), além de analistas (1.830) e assistentes (2.141).

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