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quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Circo leva história, arte e inclusão a escolas do agreste

Projeto realizado em Bom Conselho combina espetáculo, conhecimento histórico e vivências circenses para aproximar crianças, jovens e comunidades da arte milenar do circo

O circo vai além do picadeiro e do entretenimento. A linguagem circense reúne história, expressão corporal, criatividade, disciplina, convivência e trabalho coletivo e pode também funcionar como ferramenta de educação e inclusão. É a partir dessa perspectiva que o projeto Aula Espetáculo Circo da Inclusão, Periferia e Zona Rural na Arte Milenar do Circo inicia suas atividades em Bom Conselho, no Agreste Meridional de Pernambuco, nos dias 7 e 13 de outubro.

A iniciativa é coordenada por Gustavo Pereira, que atua há mais de 15 anos com atividades culturais e artísticas, especialmente ligadas ao circo. Contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura. O projeto pretende democratizar o acesso à cultura circense e aproximar essa manifestação artística de territórios onde o contato com determinadas expressões culturais ainda é limitado.

“Há mais de 15 anos desenvolvo atividades culturais e artísticas, especialmente ligadas à linguagem circense, e fui percebendo que o circo pode ser muito mais do que um espetáculo para assistir. Ele pode ser uma ferramenta de educação, convivência, criatividade, expressão e inclusão”, afirma Gustavo Pereira.

A primeira etapa será realizada em duas realidades distintas de Bom Conselho. No dia 7, a atividade acontece na Escola Marechal Dantas Barreto, localizada na periferia do município. No dia 13, será a vez da Escola Ursulino Pacheco, no distrito de Caldeirões dos Guedes, comunidade rural que apresenta um dos menores índices de desenvolvimento humano do município.

A escolha dos locais está diretamente relacionada à proposta de descentralização cultural. Em vez de concentrar as atividades nos equipamentos culturais dos centros urbanos, o projeto pretende levar a experiência diretamente às comunidades.

“Existe uma diferença entre conhecer o circo como espetáculo e ter acesso ao conhecimento, à prática e à formação relacionada à arte circense. Levar o circo até essas comunidades significa inverter essa lógica: em vez de esperar que o público vá até o espetáculo, o espetáculo vai até o público”, explica o coordenador.


Uma aula que também é espetáculo

A proposta combina apresentação artística, narrativa histórica, demonstrações de técnicas circenses e participação do público. Cada atividade terá aproximadamente duas horas e deverá apresentar a evolução do circo, desde manifestações antigas até o desenvolvimento do circo moderno e suas transformações no Brasil.

Palhaçaria, malabarismo, equilíbrio, mágica e trapézio estão entre as linguagens que serão demonstradas. A programação também prevê momentos de vivência prática, sempre com orientação profissional e atenção às condições de segurança.

“A ideia é aprender vendo, ouvindo e experimentando. Não é simplesmente uma palestra sobre a história do circo e também não é apenas um espetáculo convencional”, destaca Gustavo.

A coordenação artística é do próprio Gustavo Pereira, que também atua como Palhaço Tapioca. A equipe reúne Carlos Alberto, responsável pela produção executiva e coordenação pedagógica, além dos artistas circenses locais Anderson Felipe, malabarista, trapezista e palhaço, e Antônio Aparecido, mágico e palhaço.

A participação de artistas da região também contribui para valorizar conhecimentos e trajetórias já existentes no território. Para Gustavo, o circo popular mantém uma relação histórica com manifestações culturais do interior do Nordeste, dialogando com música, teatro popular, festas, oralidade, humor e tradição dos artistas itinerantes.

Inclusão para além da deficiência

O conceito de inclusão adotado pelo projeto não se limita à participação de pessoas com deficiência. A proposta considera também as dimensões social, territorial e cultural, aproximando crianças, adolescentes, famílias, estudantes e comunidades da experiência artística.

“O projeto não fala apenas da inclusão de pessoas com deficiência, mas também de inclusão territorial, social e cultural. Queremos mostrar que a arte também pertence a esses espaços”, afirma o coordenador.

A acessibilidade também integra a organização das atividades, com atenção aos espaços e aos recursos necessários para ampliar a participação de pessoas com deficiência, incluindo a utilização de Libras nas ações previstas.

A iniciativa pretende alcançar aproximadamente 500 a 600 pessoas nesta primeira etapa, entre estudantes, educadores, famílias e comunidade. Considerando toda a proposta, a expectativa é chegar diretamente a cerca de 2.400 participantes, sendo aproximadamente 2 mil estudantes e 400 adultos, além de um alcance indireto estimado entre 3.500 e 5 mil pessoas.


Circo como possibilidade de aprendizado

Além de apresentar uma manifestação cultural, o projeto busca estimular habilidades que fazem parte da própria prática circense, como concentração, criatividade, expressão corporal, confiança, disciplina, cooperação e comunicação.

“O circo mostra que aquilo que parece impossível no primeiro momento pode ser desenvolvido com treinamento, dedicação e orientação. Muitos números dependem do trabalho coletivo e da confiança entre os artistas”, observa Gustavo Pereira.

O contato também pode despertar novos interesses profissionais. Segundo o coordenador, o universo circense envolve diferentes atividades e não se restringe aos artistas que estão em cena. Produção, técnica, educação, figurino, cenografia e comunicação são algumas das áreas relacionadas ao setor.

A proposta prevê dez aulas de espetáculo, com circulação inicialmente pelo Agreste Meridional. Além de Bom Conselho, estão previstos territórios como Terezinha, Saloá e Brejão, conforme articulação e organização logística das próximas etapas.

“Queremos valorizar a história e os artistas que construíram a tradição circense e, ao mesmo tempo, despertar nas novas gerações o interesse pela linguagem circense. O projeto pode funcionar como uma porta de entrada para quem nunca teve contato com essa linguagem”, conclui Gustavo Pereira.

| O projeto

Nome: Aula Espetáculo Circo da Inclusão, Periferia e Zona Rural na Arte Milenar do Circo
Projeto: ON-505904912
Coordenação: Gustavo Pereira
Realização inicial: Bom Conselho, Agreste Meridional de Pernambuco
Datas: 7 e 13 de outubro de 2026
Locais: Escola Marechal Dantas Barreto e Escola Ursulino Pacheco, no distrito de Caldeirões dos Guedes
Duração: aproximadamente duas horas por atividade
Acesso: gratuito
Público: estudantes, professores, famílias e comunidade
Meta do projeto: dez aulas espetáculo e aproximadamente 2.400 participantes diretos
Apoio: Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, por meio do Edital de Chamamento Público PNAB nº 18/2025, Multilinguagens, Categoria 1, Ações Criativas, do Estado de Pernambuco (Edital Estadual – Pernambuco) e Edital de Chamamento Público nº 001/2026 seleção de projetos para firmar termo de execução cultural com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura – PNAB (lei nº 14.399/2022) (Edital Municipal – Bom Conselho-PE)

SERVIÇO

Aula Espetáculo Circo da Inclusão
Quando: 7 e 13 de outubro de 2026
Onde: Escola Marechal Dantas Barreto e Escola Ursulino Pacheco, distrito de Caldeirões dos Guedes, Bom Conselho, PE
Entrada: gratuita
Programação: apresentação artística, história do circo, demonstrações de técnicas circenses e vivências práticas.

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