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terça-feira, 27 de outubro de 2026

Vitória de Lula: o que decidiu a eleição? Nordeste, abstenção e redes sociais entram na análise

Cientista política Priscila Lapa avalia o peso dos eleitores, da rejeição aos candidatos e da estratégia digital no resultado do segundo turno de 2026.

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais de 2026 e os fatores que influenciaram o resultado foram os principais temas da entrevista com a jornalista, cientista política, doutora em Comunicação, professora universitária e sindicalista Priscila Lapa, concedida à Rádio Cultural FM de Limoeiro na segunda-feira (26 de outubro).

Durante a entrevista, conduzida pelo repórter Luís Correa, a especialista analisou o comportamento do eleitorado, a influência da economia, a rejeição aos candidatos, a abstenção e as mudanças na comunicação política, especialmente nas redes sociais. A conversa foi ao ar no programa 96 É Notícia, apresentado por Gonçalves Filho.

Economia e rejeição influenciaram o voto

Na avaliação de Priscila Lapa, o resultado eleitoral exige uma análise cuidadosa dos números e dos movimentos do eleitorado entre o primeiro e o segundo turno. Embora a economia costume ter peso importante nas eleições presidenciais, ela observou que indicadores econômicos positivos nem sempre se traduzem na percepção de melhora na vida cotidiana da população.

A cientista política também chamou atenção para a influência da rejeição aos candidatos e da identificação emocional dos eleitores. Segundo sua análise, parte significativa da disputa foi marcada pelo receio de determinados projetos políticos, além da comparação entre propostas de governo.

A discussão sobre possíveis mudanças nos gastos públicos e nos programas sociais também entrou na avaliação da campanha, diante do temor de eleitores sobre o futuro dessas políticas.

Abstenção e participação dos eleitores

Outro ponto abordado foi a participação dos eleitores no segundo turno. Priscila destacou a dificuldade de prever com precisão quem deixará de votar, especialmente entre os grupos para os quais o voto é facultativo: jovens de 16 e 17 anos e pessoas com mais de 70 anos.

A especialista também comentou a possibilidade de uma redução da abstenção em relação às expectativas iniciais. Para ela, variações de dois ou três pontos percentuais podem representar milhões de votos e influenciar a leitura do resultado nacional.

O peso do Nordeste e o avanço da votação

Priscila Lapa observou que Lula ampliou sua votação em diferentes estados, inclusive em unidades da Federação nas quais não venceu a disputa. Ela citou o desempenho do presidente em estados como São Paulo e Rio de Janeiro e nas regiões Sul do país.

No Nordeste, onde Lula já contava com uma base eleitoral consolidada, a cientista política também apontou crescimento da votação. Durante a entrevista, mencionou uma estimativa de aumento expressivo no número de votos na região, ressalvando que ainda não havia conferido todos os números exatos.

Redes sociais e mudanças na comunicação política


A estratégia digital foi outro tema central da entrevista. Na avaliação de Priscila, a comunicação de campanha precisou se adaptar a uma realidade em que as redes sociais ocupam espaço decisivo na circulação de informações e na mobilização dos eleitores.

Ela observou que parte dos materiais inicialmente utilizados pelas campanhas ainda apresentava uma linguagem que remetia a estratégias de décadas anteriores. Ao longo da disputa, porém, houve mudanças na forma de produzir conteúdo e dialogar com diferentes públicos.

A cientista política também avaliou que a direita construiu uma presença digital forte, enquanto setores da esquerda demoraram a desenvolver estratégias e equipes especializadas para atuar nesse ambiente. Segundo ela, houve uma tentativa de adaptação ao longo da campanha.

Análise do resultado eleitoral

A entrevista abordou ainda a necessidade de observar os números para além do resultado final, considerando a rejeição, a mobilização dos eleitores, a abstenção e a comunicação digital. Para Priscila Lapa, compreender esses fatores ajuda a explicar como o eleitorado se comportou no segundo turno de 2026.

A análise também reforça a importância de examinar as diferenças regionais e os movimentos da votação entre as duas etapas da disputa presidencial.

Entrevista: Luís Correa — repórter

Programa: 96 É Notícia

Apresentador: Gonçalves Filho

Emissora: Rádio Cultural FM de Limoeiro

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