Dirigido por Gabriel Contente e Bruna Diacoyannis, filme reúne depoimentos de artistas e destaca a importância de um movimento que transformou a noite carioca em espaço de liberdade, criação e resistência
A história de um grupo de artistas que, ao se sentir à margem do circuito teatral tradicional, encontrou na noite carioca um espaço para criar, experimentar e conquistar seu público é o ponto de partida de Num Buraco de Lacraia, uma aventura cabareta pelo Rio de Janeiro. Dirigido por Gabriel Contente e Bruna Diacoyannis, o documentário investiga a trajetória do Buraco da Lacraia e sua contribuição para a popularização da arte do cabaré no século XXI.
A partir de apresentações de karaokê que deram origem a um movimento artístico marcante na noite do Rio de Janeiro, o filme recupera histórias, encontros e experiências de artistas que fizeram da irreverência, do humor e da crítica social instrumentos de expressão. A produção reúne entrevistas, performances e registros, com depoimentos de nomes como Luis Lobianco, Fábio Porchat, Suzy Brasil, Karina Karão e Marco Chavarri, entre outros fundadores e integrantes do grupo Buraco da Lacraia Karaokê Show.
Ator, dramaturgo e diretor, Gabriel Contente tem uma relação afetiva com o universo retratado no documentário. Seu primeiro contato com o Buraco da Lacraia aconteceu ainda na adolescência, quando tinha 16 anos e falsificou a carteira de identidade para conhecer o espaço que já despertava o interesse de artistas de vanguarda.
“Aos 16 anos falsifiquei a carteira de identidade para entrar no Buraco da Lacraia e assistir à novidade que todos os artistas de vanguarda estavam enaltecendo. Ali conheci Sidney Oliveira, que me apresentou ao restante do grupo. Já trabalhei no teatro com Eber Inácio e no cinema e na televisão com Luis Lobianco. Karina Karão se tornou uma das minhas melhores amigas e Marco Chavarri é como um mestre para mim. O cabaré sempre me apaixonou e, por isso, esse documentário é uma declaração a essa arte”, conta Gabriel.
Mais do que recuperar a memória de um espaço emblemático da Lapa, o documentário propõe uma reflexão sobre a importância de preservar a história de artistas e movimentos culturais que transformaram a marginalidade em potência criativa. O cabaré aparece como um território de liberdade e experimentação, no qual diferentes corpos, identidades e discursos encontram espaço para existir e se manifestar, muitas vezes fora dos circuitos tradicionais de cultura.
Para Bruna Diacoyannis, diretora do documentário, a realização do filme também representa uma oportunidade de dar visibilidade a trajetórias que merecem reconhecimento.
“É uma alegria muito grande mergulhar neste universo e poder entrar em contato com tantas histórias poderosas. Considero uma honra conhecer mais sobre as trajetórias de artistas tão talentosos que fazem o possível e o impossível para viver da arte. Esse projeto é importante porque celebra e resgata a história dessas vidas e de lugares fundamentais da nossa cidade e da comunidade LGBTQIAPN+, da qual eu faço parte", fala a diretora Bruna Diacoyannis.
A produção conta ainda com a participação de Luis Lobianco e Sidney Oliveira, fundador e integrante do Buraco da Lacraia. Além da equipe técnica formada por Paulla Carniel (produção), Luis Vivanco (direção de fotografia), Wuanda (iluminação/gaffer) e Gi Forcato (operador de som).
Ao registrar a trajetória do grupo e de seus artistas, o documentário busca contribuir para ampliar o reconhecimento da linguagem do cabaré e valorizar os profissionais que atuam na noite, no teatro e nas artes performáticas.
Com uma abordagem que combina memória, arte e representatividade, Num Buraco de Lacraia, uma aventura cabareta pelo Rio de Janeiro celebra a força de artistas que fizeram da noite um palco de resistência e ajudaram a construir um capítulo importante da história cultural carioca.
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